quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"NÃO SEREI VENCIDO PELA DESMOTIVAÇÃO" - Entreolhos com o estudante Evertonn Britto

O jovem Evertonn Britto, aluno do ensino médio do CIEP Brizolão Pedro Américo, no bairro Suruí, quarto distrito de Magé, vem se destacando entre colegas e professores, por sua alegria contagiante, mesmo diante de grandes problemas enfrentados. Além disso, ele se mostra um aluno inteiramente participativo nos eventos realizados na unidade escolar, em especial os debates, palestras e eventos de natureza artística promovidos pelos arte-educadores (animadores culturais) da Secretaria Estadual de Educação lotados no CIEP, Rodrigo Lobo e Demétrio Sena. E por indicação do Demétrio, nosso entreolhos de hoje é com o jovem Evertonn.

En – Olá, Evertonn. Sabemos pouco de sua vida pessoal. Por esta razão, nossas perguntas serão bem genéricas, de forma que você tenha como se definir bem ao seu modo, para nós. De início, pedimos que você fale um pouco de sua trajetória de vida até o momento. Suas grandes alegrias, algumas tristezas e as lições que tudo já lhe proporcionou. Evidentemente, só fale do que lhe deixe à vontade.

Ev – Sim! Tive grandes momentos que marcaram a minha história e lembro-me de
Detalhe de ensaio com colegas de classe
cada detalhe de todos eles. O primeiro foi quando descobri o dom que tinha pra musica e o teatro. Aos 10 anos entrei no teatro da escola e no coro infanto-juvenil da REDUC (antigo projeto de crianças da Petrobras). Na mesma época, minha mãe descobriu uma doença que atinge um grande número de mulheres no Brasil e no mundo, que é o câncer. Meu pai entrou em depressão, deixou-me com mais cinco irmãos menores, cuidando de minha mãe. Ver uma mulher independente, vivida e feliz daquela forma foi desesperador! Fiz-me forte por ela e segui a vida. No ano de 2012, minha querida mãe veio a falecer. Perdi meu chão, e não sabia o que fazer. Daí, tive que enfrentar a vida e ver como ela é de verdade. Meu jeito alegre só veio à tona quando vim morar em Suruí.

En – Hoje, você cursa o ensino médio no CIEP Brizolão Pedro Américo. Fale de seu colégio. Quais são, a seu ver, os pontos positivos e relevantes; do que você mais gosta, e o que você acha que falta. Pode relatar o que você mudaria no sistema de ensino a que tem acesso?

Detalhe de ensaio com colegas de classe
Ev – Hoje, o Ciep Pedro Américo é como se fosse uma segunda parte da minha casa. Professores, alunos, funcionários em geral são bem amigáveis, prestativos e unidos. Eu mudaria somente a maneira de abordar e conversar com os alunos (linguagem Teen).

En – Não precisa citar nomes, mas, como você classifica os professores de sua unidade escolar, de forma geral, independente das condições de trabalho que eles têm

Ev- Meus professores parecem ser da mesma família que eu. Eles dão um duro para passar para nós o que precisamos saber sobre a vida secular e escolar. Alguns saem de muito longe para poderem estar conosco e ainda se preocupam com nosso bem-estar.

Ev – Em sua opinião, o seu CIEP é um colégio que o prepara para o mercado de trabalho e a vida, só para um dos dois ou nenhum?

Ev- Vejo um grande esforço e um interesse árduo em nos preparar para as duas áreas. Estão de parabéns, sempre!

En – Fale de seu relacionamento com os colegas de turma. O que vocês têm em
Detalhe de ensaio com colegas de classe
comum, o que mais fazem juntos e sobre o que mais conversam.

Ev- Meus amigos são os MELHORES! Conversamos muito sobre as mudanças da sociedade em geral. Temos em comum a alegria de viver e gostamos muito de piadas (risos).


En – Sabe-se que você é um aluno bastante participativo em tudo o que acontece em seu colégio. Você, que é dotado de talento artístico, leva isso a sério ou tudo é uma brincadeira? Que carreira você pretende seguir? E independente do futuro, o que você mais gosta de fazer hoje?

Ev – Para mim, a vida é como um grande teatro, o roteirista é Deus, e sei que em algum momento esse grande espetáculo pode acabar. Amo cantar e atuar. Isso sou eu.

En – O que você, em seu entendimento e visão, sem qualquer influência de outros, pode falar da educação em sua cidade, estado e país?

Ev – A educação na minha cidade tenta se reerguer aos poucos. Muitos professores não recebem, mas continuam fazendo o que amam que é ensinar e passar boas experiências da vida para nós.

En – O que um jovem como você sonha, em linhas gerais, não só para si mesmo, mas também para todo o país?

Ev – Sonho que toda essa corrupção um dia terá fim e que todos nós teremos a oportunidade de ser pessoas de bem.

Em – Diga para nós o que representa para você e a importância que você acha que tem para o colégio em que estuda, o trabalho realizado pelos arte-educadores Rodrigo e Demétrio.

Ev – Eu sou apenas um aluno que talvez tenha um interesse maior pelo que está acontecendo na minha escola. Os meus arte-educadores são muito importantes para minha vida. Muitas vezes, levo para todas as áreas da minha vida os seus conselhos. Posso dizer que são pessoas inspiradoras.

En – Quando você se forma no ensino médio? E fale se você acha muito ou pouco importante, e por que, ainda fazer faculdade nestes tempos de tanta desvalorização do ensino, a nível nacional.

Ev – Se Deus quiser, no ano que vem terei completado os estudos. Acho muito
Foto de perfil em rede social
importante, porque é uma luta de toda minha vida e muitas pessoas da minha família não tiveram essa oportunidade que estou tendo agora. Hoje, com essa crise, a motivação dos jovens para fazer uma faculdade tem diminuído bastante. Mas eu não vou ser vencido por essa desmotivação! Vou correr atrás dos meus sonhos.

En – Pedimos agora, que você dê uma bronca e faça um elogio que a sociedade mereça, em sua opinião.

Ev- Falo aos jovens que não valorizam sua escola e que não dão o devido respeito aos funcionários que nela estão: aprendam a amá-los e respeitá-los como quem respeita o pai, a mãe ou outro responsável. Respeite também as opiniões das pessoas e as decisões que elas tomam para suas vidas!

Foto de perfil em rede social
En – Para finalizar, pedimos que você dê um conselho de jovem e deixe uma mensagem a todos os jovens de seu colégio e de sua cidade.

Ev – Não desistam do que vocês sonham! O tempo passa e as coisas ficam. Deixo um ditado bem conhecido e importante: “Não deixem para amanhã o que se pode fazer hoje”.




En – Muito obrigados; foi uma grande honra entreolhar um jovem como você.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

QUEREM ACABAR COM A CULTURA MAGEENSE

COORDENADOR DO FESTIVAL DA MPB EM MAGÉ FAZ DESABAFO PÚBLICO

O articulador de cultura e líder do grupo UPCM – Unidos Pela Cultura de Magé – Roberto da Silva, organizador anual do festival da MPB de Magé publicou esta semana, em seu blog e nas redes sociais, um manifesto que fez barulho. Sob o título QUEREM ACABAR CO A CULTURA mageense, ele faz uma análise das características de pessoas que acabariam com a cultura na cidade, se isso dependesse delas. Segue abaixo, o texto.

"QUEREM ACABAR COM A CULTURA MAGEENSE"
Roberto da Silva
Coordenador da FESTIVAL DA MPB EM MAGÉ e UPCM-UNIDOS PELA CULTURA DE MAGÉ
1 - O EMÉRITO ENGANADOR.  Aquele que te pede desculpas quando você o convida para assistir mais uma edição do já nosso tradicional FESTIVAL DA MPB EM MAGÉ;
2 - O QUE FALA MUITO E NADA DIZ. E promete, recomenda, encomenda, teima, explica, e, blá,blá,blá!...blá! Para no fim nada somar...!
3 - O MAGEENSE SEM BRILHO.  Ele está arredio, sempre, avesso às exigências do UPCM - Unidos Pela Cultura de Magé pela falta de um teatro em Magé.
4 - O QUE DEIXA MUITO A DESEJAR. É o segundo acima...
5 - MAGEENSE DE MUITA BADALAÇÃO E DE POUCA AÇÃO. É perigoso, pois é político, ele costuma enfeitar as palavras e adora prometer...! Mas, nunca assina nada...! Nem quer saber do nosso abaixo assinado MAGÉ PRECISA DE UM TEATRO.
6 - DÉSPOTA TRAVESTIDO. É comum você encontrá-lo nos eventos culturais distribuindo sorrisos...! Beijinhos na face de cada um ali presente...! Sempre infiltrado para depois criticar...!
7 - O QUE TEM UM DISCURSO PARA CADA OCASIÃO OU AMBIENTE. É o político em campanha...Vestindo-se de acordo com o ambiente e dando tapinhas nas costas em ocasiões eleitoreiras...! Este gesto é que acaba com a cultura de qualquer lugar...
8 - MAGEENSE DE CONVERSA AFIADA. Afiada, pois, corta sempre a tua própria carne, quando diz:  “..isto não vai dar certo..." "...cultura não é prioridade..."!
9 - MAGEENSE PROTÓTIPO. Igual a político, bajula e nada faz...
10 - AQUELE QUE DEPOIS DE OUVIR O HINO DE MAGÉ, ESTUPEFATO, PERGUNTA: QUEM SÃO OS AUTORES? OU NÃO SABIA QUE MAGÉ TINHA HINO. Prefiro ficar calado.
11 - MAGEENSE DE FAZER CARETA. De sorriso torto, abre e fecha o olho, arregala, faz beiço e careta quando é convidado a compartilhar nas redes sociais os escritos de Demétrio Sena.

12 - MAGEENSE! Chamá-lo de ignorante cultural é pouco, assim como o politiqueiro que quer ser chamado de político em Magé e no Mundo!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

TUDO COM A CULTURA; NADA COM A POLÍTICA PARTIDÁRIA - Entreolhos com Neusa Maria

Dona Neuza Maria, a esposa de Roberto da Silva, que há 16 anos promove o festival da MPB em Magé, sempre se pôs ao seu lado como protagonista do principal evento de natureza essencialmente cultural da cidade. Ambos contam com a assessoria fiel de amigos e membros do grupo UPCM – Unidos Pela Cultura de Magé –, mas é ela quem ano após ano tece com o marido as estratégias do evento, sai em busca de patrocínio e ajuda a agregar participantes e colaboradores. Dona Neuza é a nossa entreolhada nesta edição.  

E – D. Neuza; como esposa e parceira de Roberto da Silva, diga-nos qual foi, em todos esses anos, a edição do festival que mais a agradou. Se puder, cite pormenores.

R – Para mim, foi a décima edição. Houve uma comemoração digna de um festival de grande porte, com bolo de aniversário e tudo!

E – A senhora concorda se dissermos que, não atrás, mas ao lado de um grande homem existe uma grande mulher? Isto se aplica ao sucesso que é o Festival coordenado pelo Roberto?

R – Acredito sim. É mérito dele, e sempre o ajudo no que posso.  Às vezes, ele está com um acúmulo tão grande de trabalho, que se não puder contar comigo as coisas não acontecem a contento.

E – A sua principal função no grupo UPCM – Unidos Pela Cultura de Magé – diz respeito aos patrocinadores. A senhora encontra alguma dificuldade nesse setor?

R – Encontro, sim. São pessoas de mentes fechadas, que se preocupam excessivamente com a propaganda de seu estabelecimento comercial, pondo isso muito acima da importância do evento para Magé.

E – A senhora tem conhecimento de algum concorrente do festival que já esteja preparado para ser se lançar na grande mídia e nas graças do mercado musical?

R – Vários participantes habituais estão, a meu ver, preparados para tanto. Mas, de todos, a Banda Barrones é a que mais me faz acreditar nisso.  Vejo nesses meninos, algo mais.

 E – Diga-nos, por favor: a senhora já flagrou, alguma vez, o Roberto decepcionado com algo que não deu certo no evento? Conte para nós.

R – Ah, sim! Isto sempre acontece quando alguém diz para ele que vai comparecer ao
Festival e depois não comparece. O mais ele supera sem grandes tristezas.

 E – É verdade que o Roberto da Silva já foi sondado para ser vereador, e ao invés de honrado, ficou revoltado com quem o convidou? E quanto à senhora; é verdade que se separaria dele, caso aceitasse?

R – É verdade, sim. Quando ele falou do convite para ser vereador, eu imediatamente lhe disse que me separaria dele, se aceitasse participar dessa política que está aí, tanto em nossa cidade quanto em todo o país.

E – Quem é Neusa Maria Assessora Cultural, e quem é Neusa Maria esposa do Roberto da Silva?

 R – A assessora é a que gosta de lidar com o público e fica orgulhosa por estar fazendo algo de útil para a cidade. A esposa é a que sempre está pronta para o que der e vier ao lado dele.

E – Em algum momento a senhora pensou que o Festival da MPB em Magé fosse acabar por uma ou outra razão?

R – Nunca.

E – Em todos estes anos, o que mais apareceu, no caminho de vocês? O que podemos chamar de "malas" ou pessoas interessadas no sucesso do festival?

 R – Pode acreditar: sempre foi maior o número de pessoas de mentes abertas. Até porque, as mentes fechadas nem têm como permanecer.

E – A senhora já percebeu, uma ou mais vezes, que algumas pessoas se aproximaram ou se infiltraram com o único objetivo de se beneficiar pessoalmente?

R – Foram muitas pessoas. Nas primeiras edições, então, nem se fala! Depois, todos foram entendendo a realidade de que o Festival é um movimento cultural independente, sem fins lucrativos, com o objetivo de divulgar e revelar novos valores culturais; não valores politicopartidários!

E – Quem é Roberto da Silva, esposo de Neusa Maria?

R – É um cidadão que vive em prol da cultura, e que batalha por um teatro para Magé. Ele sonha todos os dias com a dinamização da cultura mageense, acreditando nela como base para uma Magé do futuro.

E – A palavra é sua. Fique à vontade para encerrar este entreolhos, dizendo o que quiser.

R – Me chamo Neusa Maria da Conceição dos Santos. Assessora Cultural do UPCM – Unidos Pela Cultura de Magé –, e me sinto à vontade para convidar os mageenses a comparecerem no dia 16 de dezembro, sábado, a partir das 18h horas, no Hotel Canopus, no centro de Magé. Nesse dia encerraremos as atividades culturais deste ano, com a entrega de certificados aos vencedores da edição XVI do nosso já tradicional FESTIVAL DA MPB EM MAGÉ. Viva a nossa cultura mageense!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

"A POLÍTICA OFICIAL PARA A LITERATURA É MERCANTILISTA E CORPORATIVA" - Entreolhos com Cláudia Brino

Escritora e editora independente, Cláudia Brino (foto ao lado) faz um trabalho de muitas descobertas através de sua Editora Costelas Felinas, que já editou muitos milhares de títulos entre prosa e verso, de autores de todo o Brasil. Seu trabalho artesanal é de um capricho e uma correção impecáveis, que a fazem acumular clientes, amigos e admiradores. Ela ama o que faz. Isso é notório em suas postagens em rede social e na frequência com que lança movimentos como concursos literários, nos quais oferece edições como prêmios. Cláudia Brino é a nossa entreolhada nesta edição.

E – Cláudia Brino; centenas, talvez milhares de pessoas que não o fariam de outra forma vêm realizando o sonho de tirar das gavetas os seus escritos e transformá-los em livros impressos. Tudo graças à chance que você oferece, da publicação de quantos exemplares o autor quiser. Pode usar licença poética para responder, caso queira: o que isso significa para você?

R: Rapaz é uma emoção inestimável, principalmente quando podemos ver a reação de alguns autores recebendo o livro modelo. Tendo em mãos, pela primeira vez na vida, algo seu impresso e em formato de livro. Nestes dias uma amiga e também escritora, Vera Tezza, disse para nós, em rede social, e faço dela nossas palavras: Realizar sonhos é eternizar-se.

E – Você tem o registro de quantas pessoas já editaram livros pela sua Editora Costelas Felinas, e de quantos foram ao todo, os exemplares impressos?

R: Até agora editamos 329 títulos, entre livros solos e antologias, num total de 20.600 exemplares. Já há alguns anos estamos editando e lançando um livro novo por semana, a maioria em cidades que não contam nem com livrarias.

E – O que é a Editora Costelas Felinas? E qual é a filosofia da editora, visto que não se trata de uma atividade econômica, neste caso, das mais rentáveis? Ou estamos enganados?

R: A Costelas Felinas é uma editora totalmente artesanal e informal. Não somos empresa e nossa filosofia é servir de plataforma intermediária para aqueles que se movimentam neste imenso universo literário independente. Qualquer pessoa pode enviar sua obra por e-mail e receber em casa um livro gratuito para análise e correção. A partir daí pede somente o que necessitar de cada vez.

E – Vocês contam (não precisam dizer de que forma) com alguma facilidade de aquisição de papel, tinta, patrocínio etc.? Em que condições é feito esse trabalho? Não há nenhum problema se você disser nome de patrocinador.

R: Não temos nenhum tipo de facilidade. Tinta, papel e os outros itens de encadernação são comprados no varejo. O trabalho é todo feito à mão e utilizamos impressora doméstica, bom-humor e criatividade.

E – Mesmo oferecendo uma oportunidade como essa a tantos talentos da literatura, você enfrenta casos de intolerância quando algo não ocorre exatamente como o esperado? Em casos de prazo, por exemplo, entre outros itens?

R: O caso mais intolerante que apareceu foi o de uma pessoa que organizava antologias e queria a todo custo passar a frente de nossa fila de trabalho. Foi um bom período de discussão até a pessoa entender que para nós o que é válido é o respeito e que todos deveriam aguardar sua vez, não importando quem seja. Perdemos um cliente? Sim... rsss mas, ganhamos tranquilidade. Agora, em caso de prazo, o assunto chega a ser engraçado, porque tem gente que primeiro marca a data do lançamento, para depois mandar o trabalho para editarmos.

E – Uma curiosidade: você edita mais trabalhos de escritoras, escritores, ou essa ordem é variável?

R: Em nossa estante felina há um empate: as mulheres estão ganhando na prateleira da poesia e os homens na prateleira da prosa, isso em livro solo. Em organização de antologias, as mulheres estão na frente, bem na frente...

E – Fale um pouco de seus concursos: como funcionam? Quais são os critérios de avaliação, e quem são geralmente os avaliadores?

R: Os concursos são realizados de duas maneiras: pela própria Costelas Felinas (Prêmio Miau, Baseado na Estrada - 50 anos do Movimento Hippie, Cardápio Poético, Prêmio Narciso de Andrade, entre outros) e os que ocorrem em parceria com o Clube de Poetas do Litoral (CPL), do qual sou fundadora e coordenadora (Trajes Poéticos, CinePoesia, Desafio Literário...)
Os jurados da Costelas Felinas, são professores de literatura. Os jurados do Clube de Poetas do Litoral são os próprios integrantes do grupo.

E – Os concursos são patrocinados ou vocês bancam tudo? Mais uma vez não tem problema se você disser nome de patrocinador.

R: Todos os nossos concursos e eventos são bancados pelo nosso idealismo.

E – Defina para nós o apoio da iniciativa privada, do poder público e outras fontes, a trabalhos como o seu, e no seu caso, especificamente.

R: Olha, nós, especificamente, trabalhamos para provar que se pode fazer um trabalho literário totalmente independente e liberto da dicotomia poder público-iniciativa privada. O nosso trabalho é totalmente underground, ou seja, nos movimentamos à margem do Grande Mercado, portanto, todos os custos são bancados com recursos próprios, pois é, justamente, esta a nossa proposta: como movimentar o nome de forma alternativa, sem incentivo algum, longe dos guetos elitistas e da massificação segmentada.
 
E – Como você vê nos dias atuais, a política geral de incentivos oficiais à literatura? Você consegue notar essa política?

R: Toda política oficial para a literatura é somente mercantilista e corporativa. Não temos atividade empresarial e não atuamos em gabinetes, portanto, o que vemos é passarem os anos e a luta continuar a mesma.

E – Isso já não ocorre ou você continua se surpreendendo com talentos que descobre a cada “fornada” literária?

R: Nosso campo de ação é muito amplo, por isso nos oferece um leque abrangente da literatura contemporânea e a cada “fornada” a surpresa se renova.

E – O que é para você a literatura? O que ela representa em sua vida?

R As duas perguntas tem a mesma resposta: prazer.

E – Voltando aos concursos literários: o nome do concurso deste ano tem a ver com o gato preto ou a gata que vemos em suas postagens? É uma homenagem a ela? Fale a respeito.

R: Rsssss.... não diria que foi em homenagem, na verdade foi um estalo que deu na ideia, mas como a gatinha Noia passa muito tempo com a gente entre os livros, isso deve ter nos influenciado de alguma maneira.

E – Tem em mente o número de concorrentes? E qual foi a modalidade mais inscrita? Prosa ou verso?

R: Ainda não tivemos tempo para contar, mas acreditamos ter um pouco mais de 300 participantes. Até agora entregamos mais de 160 livros e a maioria inscrita foi POESIA.

E – Considerando sua lida diária com talentos da literatura, você diria que o Brasil está melhor, pior ou como sempre, no que tange o fazer literário tanto em qualidade quanto em quantidade? Por quê?

R: Nos últimos anos o mercado editorial cresceu muito com a chegada de grandes editoras estrangeiras monopolizando segmentos literários e isso contribuiu para a expansão do abismo entre os escritores regionais e as editoras nos grandes centros. A produção alternativa continua em alta, mas sufocada e restrita a eventos literários independentes.

E – Se puder e quiser, narre alguma curiosidade – ou mais de uma – que tenha marcado sua trajetória como editora.

R: O que marca a gente e sempre marcará nesta trajetória é a amizade que fazemos com os autores e a possibilidade de poder conhecer tantas ideias e ajudar a deixar isso registrado. Em segundo plano ficam os prêmios e menções honrosas que alguns livros editados pela Costelas Felinas receberam e também a edição de livros publicados para o exterior.

E – Sabe-se que você é também autora, e das boas. De prosa e verso. Qual é a sua modalidade literária preferida, como escritora? E por quê?

R: Minha modalidade é poesia. Por quê? Ela colou em mim.

E – Quantos livros seus, você já editou? Se puder enumere-os e classifique.

R: 16 livros solos. Poesia: Zona 2000, Mosaico da Insônia (livro em 7 volumes), Safra Velha (indicado ao Prêmio Nobel de Literatura/2018 pelo jornal Interna-tional Poetry News, da Itália), Momentos, Palavra, Chorando Reticências, Vozes, Almas com Fome, Pérola Verde, Objetos, Versos e Encaixe (estes três últimos em parceria com Vieira Vivo). Prosa: O lado Vertical da Cruz, Frags vol. 1 e 2, Fronteira, Amor Mofado.

E – Poetize com palavras, o prazer que você tem em dar notoriedade a tantos talentos.

R: Na verdade as letras dão destaque a todos que por elas são cativados e as afagam com vivência e sabedoria, porque somente através da palavra podemos deixar registrado que um dia passamos por aqui.

E – Deixamos de perguntar algo sobre o que você gostaria de falar? Fique à vontade.

R: Nenhuma. Tudo ótimo, tudo pertinente.

E – Dê os seus endereços comerciais e fale sobre como contatá-la e contratá-la para edições de livros.

R: Nossos contatos são: e-mail: cacbvv@gmail.com / celular: (13) 98139-1967. Como enviar a obra? Está explicado em nosso blog: http://artesanallivro.blogspot.com.br .

E – Deixe alguma mensagem, a seu critério, para os nossos leitores, os autores de sua editora e os concorrentes do prêmio Miau.

R: Como já disse Vítor Ramil: não estamos à margem, estamos no centro de uma outra margem.

E – Muito obrigados. Foi uma honra imensa entreolhá-la.


R: Cá adoramos por demais este convite. Só temos a agradecer por nos permitir fazer parte da ENTREOLHOS (outro ótimo meio de difusão cultural) e agradecer ao amigo e autor Demétrio Sena por nos apresentar a si.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

TELMA TAUREPANG E O RESGATE DO BRASIL INDÍGENA

O Entreolhos desta edição não foi feito por nós. É a íntegra de uma entrevista que nos tocou, concedida pela líder indígena Telma Taurepang (foto à esquerda) ao jornalista Eduardo Waack para o site jornaloboemio.wordpress. Sem mais delongas, passemos à entrevista que dispensa maiores comentários de nossa parte. As fotos também são do Boêmio.

Autor: Eduardo Waack

Telma  fala sobre direitos indígenas durante evento paralelo da Conferência do Clima 
Ela é uma das grandes lideranças indígenas do Brasil atual. Sempre atenta, pessoa culta e engajada, enxerga além das aparências, e inclui a todos em seus ideais. Nesta entrevista, Telma Taurepang discute questões envolvendo os povos originários do Brasil, entre elas a situação e necessidades das mulheres indígenas, territorialidade, conquistas, câmbio climático e outras urgências. Vamos conhecê-la melhor.

Apresentação. Fale-nos um pouco sobre você.

Telma — O nome que me foi dado pelo branco é Telma Marques da Silva. Nome Taurepang: Paata Maimu, que significa A Voz da Terra. Sou do povo Taurepang, que está concentrado no município de Pacaraima, e em Terras Indígenas no estado de Roraima e na Venezuela, na fronteira Brasil-Venezuela. Sou da Região do Amajari, da comunidade indígena Araçá, minhas raízes, mas minha residência hoje é na comunidade indígena Mangueira. Tenho três filhos, dois curumins e uma cunhatãn, sou vovó de um casal de netinhos, nasci e cresci no movimento indígena, venho de uma linhagem de lideranças Taurepang. Desde 2005 atuo na Frente de Organização Indígena. É a primeira vez que uma mulher Taurepang assume uma organização indígena; em 2010 fui eleita com 3.540 votos para assumir a Secretaria de Mulheres Indígenas, um departamento dentro de uma organização de renome no estado de Roraima, respeitada internacionalmente pela atuação em defesa dos direitos dos povos originários no estado, com a conquista da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Esta organização chama-se Conselho Indígena de Roraima — CIR. Ali permaneci seis anos atuando como secretária geral do Movimento das Mulheres Indígenas. Meu mandato durou do dia 15/03/2010 a 15/03/2017. Em 29/11/2016 fui eleita por aclamação e indicação de nove estados da Amazônia, entre eles Mato Grosso e Maranhão, que integram nossa organização, chamada União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira — UMIAB; meu mandato é de quatro anos, e no dia 22/07/2017 assumi mais uma missão.

Atuando dentro e fora do Brasil.

Telma — Faço parte do conselho de mulheres da COICA (Coordinadora de la Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica), onde foi constituída uma Secretaria de Mulheres Indígenas da América Latina, que atua em nível internacional, um conselho consultivo e deliberativo, onde estamos participando como membro desse conselho, como parte do Brasil. Aqui no Brasil também existe um comitê que discute questão de mudanças climáticas chamado Comitê Indígena de Mudanças Climáticas — CIMC. Ali fazemos parte na representação na questão de gênero, e participamos de grandes conferências fora do país. Hoje a minha participação tanto em nível nacional como internacional está na defesa dos direitos dos povos indígenas, em defesa das mulheres indígenas. Tenho participado de colóquios, congressos e debates fora do Brasil, na ONU em Genebra, e nos espaços que nos chamam para denunciar violações de direitos dos povos indígenas e questões de gênero. Estamos unidos. Faço parte também de um projeto dentro da ONU que se chama A Voz das Mulheres Indígenas, somos referência dentro do nosso Estado e hoje fora também. Este projeto surgiu devido ao aumento de violência contra as mulheres indígenas, então fazemos uma discussão para empoderar as mulheres indígenas em direitos e políticas públicas, desenvolvimento sustentável e cultural. Pra mim não é um fardo o que faço, é sim um legado que as guerreiras que me antecederam deixaram, um legado vital, e incorporei essa luta com muita coragem.

Vivendo entre duas culturas.

Telma — É achar meios para uma sintonia sem atrito. É viver e manter nossos costumes, desde nossos antepassados, pois a cultura civilizada vive em mutação constante.

Em Brasília, no Acampamento Terra Livre
Como é ser índio no Brasil?

Telma — É viver às margens da Lei e em conflitos constantes pela posse de terras, terras que por direito são nossas, desde antes desta (tal) descoberta. Por onde quer que estejamos levaremos a luta daqueles que nos antecederam.

Quais os grandes desafios atuais para os povos indígenas?

Telma — Liberdade para eleger nossos representantes no que tange aos órgãos que defendem os povos indígenas, em todas suas amplitudes. Discutir terras indígenas. Acabar com os conflitos agrários. Titulação de terras aos indígenas que delas vivem, assim será dado o primeiro passo para acabar com os assassinatos por demanda de terras.

Fale sobre o recente Congresso Geral da Mulher Indígena, no Peru.

Telma — O empoderamento das mulheres indígenas está nessa discussão, e bem visível a todos, como nós queremos que seja, encaminhando nossas demandas. Nós queremos sim demandas de forma que sejam adequadas, e como serão de fato atendidas nossas bases por nós na governança de nossos territórios, com os projetos; pra nós a discussão sobre a questão de gênero não é uma disputa entre homem e mulher e sim que haja uma cumplicidade entre os parceiros de luta, mulheres e homens dentro de suas organizações trabalhando em parceria. Pra nós mulheres indígenas, foi um avanço muito grande nesse Congresso ter de fato uma discussão sobre o papel das mulheres indígenas e sua atuação dentro dessa secretaria de política para as mulheres indígenas da América Latina de fato constituída com um conselho consultivo e deliberativo.

Pessoas e organizações que destacam-se na defesa e empoderamento dos povos indígenas.

Telma — APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) com cinco regiões e sua respectiva representação, que são a base. E COIAB, UMIAB, APOINME, ATYGUASSU, Conselho Terena, Arpinsudeste, Arpinsul, Comissão Yrupa, COICA (nove países da América Latina). Entre as lideranças, destaco Sonia Bone Guajajara, Nara Bare, João Neves, Sineia Wapixana, Maximiliano Tucano, Joenia Wapixana, Enok Taurepang, Luis Eloy Terena, Alberto Terena, Paulo Tupiniquim, Dinamarca Tuxa, Kretãn Kainkang, Marciano Guarani Nhandewa, Darã, Paulo Karay, Maria Assunta, Yannuzy Tapados, Patrícia Juruna, Toya Machineri, Alana Machineri, Arildo Gapame Surui, Marivelton Bare, Davi Kopenawa, Jacir José de Sousa, Nelino Galle, Valdi Tobias, Augustinho Ribeiro. Instituto Socioambiental: Adriana Ramos, Márcio Santilli, Ana Paula Souto Maior. IEB: Maria José, Cloude Correia, Andréia Bavaresco, Henyo Barreto Filho. RCA: Patricia Zuppi, Luis Donizete Benzi Grupioni. Conselho Indigenista Missionário: Cleber Buzatto.

Algumas ideias para um Brasil mais includente e socialmente justo.

Telma — Outorga de direito de fato aos povos indígenas para que seu acesso não seja negado perante a justiça, de maneira ampla e irrestrita. Participação no parlamento para discutir as questões dos povos indígenas do Brasil. Participar dos pleitos e de toda ordem que a sociedade civilizada tem em seu bojo, com direitos iguais.

Marcha das Mulheres Indígenas, 2016
Um momento que ficou na memória.

Telma — Na minha posse em 2010, quando assumi a secretaria geral do Movimento de Mulheres Indígenas do CIR, onde estavam presentes 2.000 indígenas de várias etnias, inclusive indígenas da Venezuela e Guiana Inglesa, cantaram dois cantos, em Macuxi, na sua própria língua materna, Tawaake Tawaake Tatarumenkai, parixara iipi yeramato’pe, esse canto quer dizer que “vamos receber todos os parixaras que estão chegando, todos pintados”. O outro ele diz que tem um pássaro e eu entendo que esse pássaro ele é o Grande Espírito, ele vem ser a própria vassoura pra varrer o nosso quintal, nossa casa, que é nosso corpo, nossa alma, e o canto diz assim “Upororoi Mikuyumaipe. Upororoi mikuymaipe tawaru tawaru,upororoi mikuymaipe tawaru tawaru.”

Como as pessoas podem contatá-la e apoiar sua luta?

Telma — Através do e-mail ts.com2016@outlook.com.

Deixe uma mensagem final aos nossos leitores.

Telma — Não caminho só, pois existe você, para caminharmos juntos, lado a lado em defesa dos nossos direitos. Direitos esses que já foram garantidos perante uma Constituição, e que hoje não pode haver nenhum retrocesso. Diante desse Direito, nossa Mãe Terra e vida, lutaremos juntos. Nenhum direito a menos, o que está em jogo hoje, não é só a minha vida e a sua vida, é a vida da Nossa Mãe Terra, nosso planeta Terra.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

'NUNCA TRAIA O QUE VOCÊ ESCREVEU' - Entreolhos com Gerson Monteiro

Gerson Monteiro é um jovem escritor do bairro vale das Pedrinhas, em Guapimirim, que vem alcançando notoriedade com sua forma singular de escrever. Autor de cinco livros - três de poemas e dois romances -, Gerson, que tem pouco mais de vinte anos prepara mais um romance, que formará uma trilogia com os anteriores DOIS MUNDOS e DOIS MUNDOS DOIS, nos quais ele narra com muita sensibilidade e sem dramalhões, um drama que ainda atravessa, mas está prestes a vencer, e não detalhou neste entreolhos. Gerson Monteiro, filho da artista plástica Sônia, já  entreolhada por nós, é o nosso convidado.

E – Gerson; com pouco mais de vinte anos de idade, você já é um autor destacado em Guapimirim, sua cidade;  na cidade vizinha, Magé, e vem gradativamente conquistando espaço em toda a baixada fluminense. Fale para nós, sobre como se deu esse processo em tão pouco tempo, e quando foi seu início.

G – Eu comecei a escrever para desabafar, e notei que as pessoas começaram a curtir aquilo. Logo comecei a escrever por prazer. Devo meu reconhecimento a minha mãe Sônia Monteiro que me colocou em vários eventos, e amigos como o escritor Demétrio Sena que sempre fez despontar o meu nome.

E – Quais foram os livros lançados por você até o momento, e quais são as suas temáticas? 

G – Cuca Legal, O Segredo Da Vida, A Nova Poesia, Dois Mundos e Dois Mundos Dois. Os três primeiros são de poesias, ou de alguma forma poéticos, os dois últimos são romances.

E – Você tem a sensação de que já é consagrado em seu meio? Por que sim ou por que não, e o que você espera de seu futuro como escritor?

G - Tenho a sensação de que não sou consagrado, espero ser no futuro.

E – Fale-nos do escritor Gerson Monteiro entre família. Como você se vê nos olhos de seus familiares, em especial seus pais?


G - Meus familiares me veem como uma pessoa legal, meus pais simplesmente me amam. Acho que não existe amor maior que o deles por mim. Se existe, ainda não encontrei.

E – Quais são os seus temas prediletos, ao escrever? Sobre o que você mais gosta de escrever, e por que razão?

G - Eu gosto de escrever poesias, porque acho que se tem total liberdade na hora de escrever uma poesia. Você pode escrever o que quiser e isso é algo especial

E – Sabe-se que você teve que dar uma pausa, por questões de saúde, não exatamente no ato de escrever, mas nas atividades públicas relacionadas à literatura. Quer falar a respeito? Só se quiser.

G – prefiro não comentar, porque não é como se eu decidisse dar uma pause nas minhas atividades, eu fui obrigado a parar e isso me deixou triste.

E – Ao que sabemos você tem três livros de poemas e dois romances publicados. Parece-nos que os romances falam de você em terceira pessoa. É isso mesmo? O que você relata nesses livros?

G – Sim, eu tinha a ideia de um romance e minha experiência de vida. Foi com isso que comecei a escrever

E – Também sabemos que o seu próximo livro será outro romance. De que trata esse romance? Uma continuação dos anteriores, DOIS MUNDOS e DOIS MUNDOS DOIS? Fale sobre ele, se puder.

G – Na verdade meu próximo livro será sobre minha doença, eu decidi me abrir. Mas sou do tipo que só consegue se abrir para um papel em branco.

E – Que tempo mais você estima, para voltar à carga em suas atividades literárias, no que tange apresentações, lançamentos e outros desempenhos?

G – Meu desejo é voltar o quanto antes.

O autor com a mãe, Sônia Monteiro
E – Considerando o contexto de sucesso no meio musical, qual é a sua definição de sucesso para um escritor? O que é ser bem sucedido como escritor?

G – Acho que é alcançar o reconhecimento das pessoas. Saber que as pessoas ligam você a um texto seu. E ter vários fãs, é claro! (riso)

E – Qual é o processo de edição e distribuição de seus livros? Como você faz para lançá-los e vendê-los?

G – Atualmente eu fecho um contrato com a Editora Costelas Felinas, que fabrica os meus livros e os envia para mim. Então eu os vendo em eventos, exposições e a qualquer momento a quem possa interessar.

E – Tem algum apoio de alguma empresa ou do poder público? Quem o apoia, de fato, e de que forma?

G – Infelizmente não tenho apoio algum desses meios.

E – A partir de suas observações como escritor: a baixada fluminense lê? E as cidades de Magé e Guapimirim, onde sua atuação é mais forte? São cidades cujos povos leem? Fale a respeito.

G – Sim, conheço muitas pessoas que gostam de ler; o problema é que essas pessoas não estão conectadas umas com as outras ou com o grande público, para contagiarem a todos com esse gosto por leitura.

E – Você é membro de uma academia literária. Como é ser acadêmico? Quer falar a respeito da academia e de como você se relaciona com seus pares?

G – É uma grande honra para mim, ser um membro da ACLAM (Academia de Letras e Artes de Magé), mas atualmente não estou um membro afetivo, por isso não posso
comentar.

E – Quais são os seus projetos, em longo prazo, para sua carreira como escritor?

G – Escrever um livro sobre um super herói, sempre foi meu sonho.

E – Se puder, deixe uma mensagem para jovens como você, que sonham ser escritores.

G – Nunca traia aquilo que escreveu!

E – Baseado em seu drama pessoal e a superação que você vem alcançando na luta contra ele, deixe também uma mensagem aos leitores.

G – Encare o problema, é melhor lutar do que sentar e esperar o desfecho.

E – Quer falar sobre algo que não perguntamos? Esteja à vontade.

G – Obrigado pela oportunidade; é uma honra para mim, ser entreolhado.

E – Nós é que agradecemos; o seu entreolhos nos enriquece.