terça-feira, 23 de maio de 2017

SOBRE A ÚLTIMA EDIÇÃO DO ENTREOLHOS

No dia 9 de maio, nossa página em rede social e este blog publicaram um entreolhos com o articulador de cultura Roberto da Silva, centrado no festival da MPB deste ano e nas edições anteriores, desde que Roberto iniciou o festival.

Em seguida, o leitor e amigo Edson Mota de Moura nos interpelou, educadamente, em rede social, com o seguinte questionamento:

- Nenhuma menção aos três primeiros festivais da canção em Magé! Pena!

A nossa resposta não poderia ser outra, movida pela preocupação em informar de forma completa:

- Olhe, amigo, não tenho mesmo conhecimento, mas faça o seu comentário a respeito, envie, e incluo na matéria. Obrigado por se manifestar.

O Edson voltou, novamente gentil, a se manifestar:

- Vou verificar as datas direitinho. Mas posso adiantar que o primeiro festival de música de Magé foi realizado no Magé Tênis Clube, sob a iniciativa de Fernando Tavares. Ali também houve o 2° Festival de Música Mageense. Já o 3° FeMM realizou-se na sede social do Mageense Futebol Clube, sob a iniciativa do movimento de arte (MOVART), dirigido por Eliane Marzullo.

Então lhe respondemos da seguinte forma, e permanecemos no aguardo:

- Obrigado; aguardarei, e farei as observações pertinentes.

Já se foram alguns dias desde o último contato. Seja como for, voltamos a agradecer ao Edson pelas informações a serem confirmadas.

Também nos cumpre informar aos demais leitores e amigos - embora o Edson não tenha feito qualquer acusação ou insinuação neste sentido - que o Roberto da Silva nunca disse em nenhum entreolhos ou conversa informal conosco, ser o único nem o primeiro realizador de festivais da MPB na cidade de Magé.

A explicação acima é apenas uma preocupação em adiantarmos uma resposta a possíveis indagações futuras de outras pessoas.

Ficou evidente para nós, que a única e justa preocupação do Edson Mota de Moura foi a de fazer justiça à história da música em Magé.

Observações respeitosas e construtivas como a de nosso amigo serão sempre bem vindas ao Entreolhos.

terça-feira, 9 de maio de 2017

'ENQUANTO HOUVER MÚSICA HAVERÁ O FESTIVAL DA MPB EM MAGÉ' - ROBERTO DA SILVA

O advogado e articulador de cultura Roberto da Silva (foto, ao lado da esposa e companheira de produções), já entreolhado por nós, se prepara para mais um festival de MPB. Evento que ele popularizou em Magé, numa empreitada de muitos anos, enfrentando as dificuldades próprias de uma cidade onde o poder público não se importa com a cultura local.  

E - Roberto; quais são as suas expectativas para o festival deste ano? 

R - As expectativas para o festival deste ano são as melhores, pois já temos músicas inscritas, compositores que pela primeira vez participarão e vieram de outros municípios.                                                                                                                                  
E - As inscrições este ano, que já começaram, terminam quando?   

R - As inscrições vão até dia 30 (trinta) de agosto e podem ser feitas através do site https://festivalmage.blogspot.com.br 
                                                                                        
E - Você já se articulou em relação a jurados, programação e outros detalhes? Em que pé está a produção do evento?

R - A produção está trabalhando bastante basta entrar na página do festival no Facebook e ver os jurados, compositores, programação, confirmados até agora...  


E - O evento ainda será no salão do Rotary Clube de Magé? 

R - sim, será realizado lá pela décima segunda vez...

E - Este ano as dificuldades de sempre se repetem? Com quem você conta, mais uma vez, para realizar o festival? 

R - Patrocinadores fiéis que acreditam na cultura como fator social e humano, e novos patrocinadores que vêm somar com a gente. Não esquecendo você, Francisco, jornalista-ícone da cultura.

E - O que lhe dá esse ânimo para persistir no sonho de mais cultura para Magé? 

R - Primeiro, gostar de fazer cultura e, segundo, gostar mais ainda de ver nossos talentos, mageenses ou não, se apresentando no festival. É impressionante!!! Enche nossa alma, e já estamos há dezesseis anos!
                                                                                           
E - Você ainda acredita que Magé terá o teatro que você pede há tanto tempo?

R - Já nos ofereceram espaços, parcerias, etc. Mas o que não entendem é que queremos um teatro popular, ao contrário dos que sempre pedem alguma coisa em troca.
                                                                                            
E - Por favor, encerre este bate papo fazendo a publicidade do festival e deixando uma mensagem para os fazedores de cultura do Município de Magé.

R - Enquanto houver gente no mundo, haverá música, e, enquanto houver música haverá o FESTIVAL DA MPB EM MAGÉ.


E - Mais uma vez, obrigados pela sua atenção.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

"A HISTÓRIA DE MAGÉ NÃO É CONTADA EM NENHUMA FACULDADE" - ENTREOLHOS COM GILVALDO DIAS GUERRA

O historiador Gilvaldo Dias Guerra tem se destacado em rede social, na cidade de Magé, pelo seu perfil voltado inteiramente ao patrimônio histórico, ecológico, humano e cultural. Todos os dias ele apresenta uma nova publicação eivada de informações que enriquecem o conhecimento das pessoas sedentas de saber, especialmente nesta questão. Gilvaldo é o nosso entreolhado.

E - Olá, Gilvaldo. Seu perfil em rede social é recheado de assuntos elevantes relacionados à história da cidade de Magé, especiamente no que tange o distrito de Santo Aleixo. Dir-se-ia que você é um mageense - natural ou por opção - profundamente apaixonado pelo lugar, e tem esperanças no resgate, ainda que memorial, dos seus melhores tempos. Isso procede? fale-nos a respeito. 

G - Sou de Santo Aleixo,  nascido no Hospital de Magé, no bairro Figueira, onde existia uma Fazenda do Conde Alemão Ferndy Von Scoilder, que comprou uma escrava chamado Maria da Conceição, a Maria Conga.  Fica perto do morro do Bonfim, onde esta a Lendária Árvore Mirindiba. 

E - Você é um historiador. E dos bons. Esta é a sua formação acadêmica ou você é qualificado pelo notório saber? 

G - A minha formação é como Analista Administrativo. Trabalhei 32 anos na EMBRATEL. Hoje sou aposentado.

E - Como era Magé, quando você era criança e posteriormente jovem? 

G - Quando nasci, não dava para perceber quem era Magé. Na época, os meus pais trabalhavam como operários da Fábrica Esther, que foi a 1ª. Têxteis da Província do Rio de Janeiro. Tive uma infância boa e uma juventude saudável.

E - Quais são ao seu ver, as principais diferenças, considerando aquele tempo e os dias atuais? 

G - Antigamente existia esperança de você crescer e se tonar uma pessoa digna, isto é, conseguir um bom trabalho para chegar à aposentadoria. Existiam as fábricas e todos nós que vivíamos aqui, não sabíamos como era visto o nome de Magé fora do Município. Hoje, não há essa esperança nos rostos da população. Existe uma carência de empregos, pois com os fechamentos das cinco fábricas no Município, muitos foram embora, outros ficaram desempregados e muitos jovens estão a procurar empregos. Cabe lembrar que Magé é o décimo primeiro Município do Estado, no item população e colégio eleitoral e também na formação de jovens com 18 anos precisando trabalhar.

E - A que se deveu o início de sua busca das raízes da cidade, em espacial do distrito de Santo Aleixo? 

G - Logo quando fui trabalhar no Rio de Janeiro, no Ministério do Exército, tive a minha primeira dificuldade em dizer onde morava. Fui apresentado às seções. Na terceira Seção da Diretoria de Especialização e Extensão – DEE, no Palácio Duque de Caxias, fui apresentado ao Coronel Ferreira um Gaúcho, como morador de Magé.  Logo fui direcionado para a quarta Seção, onde iria trabalhar, mas fui informado de que eu iria trabalha na terceira Seção, a do Coronel Gaúcho. Fiquei sabendo que o Coronel Ferreira falou com o General que queria aquele Gaúcho trabalhando com ele. Que Gaúcho? Eu? O Coronel confundiu Magé com Bagé e sempre fazia uma brincadeira. Pensei que você era de Bagé, mas você era de MAGÉÉÉÉ!  Achei estranho ele falar de Magé assim. As pessoas pensavam que Magé fosse lá nos Cafundós do Judas, e Santo Aleixo, ninguém sabia onde ficava.

E - Quais são os seus métodos para historiar? 

G - Como não sou historiador de formação, não existem métodos, o que existe é paixão mesmo.

E - Que fontes abastecem o seu saber sobre Magé? 

G - São Livros Publicados por alguns Jornalistas, onde vários pesquisadores descreveram a nossa história. Os livros Magé a Terra do Dedo de Deus, de 1957, do Jornalista Renato Peixoto dos Santos. Magé, durante o segundo Império e os Primeiros tempos da República, de 1962, Os horrores de Magé, publicado pelo Empresário João Roso em 2002. A Internet e outros livros atuais.

E - Em sua opinião, quais foram as maiores perdas que a cidade sofreu, ao longo do tempo, em especial nas últimas décadas? 

G - Magé foi o Eldorado (local pródigo em riquezas e oportunidades). A cidade se tornou importante quando o Suruiense Sargento Mor Bernardo Soares de Proença fez o novo caminho do ouro que cortou a Serra da Estrela. Ele foi o desbravador de Córrego Seco, que se tornou a cidade de Petrópolis. Por essa região, passavam os milhões de escravos que saíam do Valongo no Rio de Janeiro em direção às Minas Gerais, na exploração do Ouro e para o Vale do Paraíba, para as lavouras. Isso aconteceu a partir de 1724. Em 1789, foi elevada a Vila, em 1802 a Cabeça da Corte do Império e em 1857 elevada a cidade. Era parada obrigatória para o desenvolvimento do Centro do Brasil. Grande Comércio. Depois da invasão pelas tropas dos Governos Federal e Estadual no dia 21 de Fevereiro de 1894, no episódio chamado pelo Jornal do Brasil, de “Os Horrores de Magé”, no conflito da Guerra da Armada, que começou em 1893, a cidade foi totalmente atacada e a sua memória  destruída, queimada. Até hoje não sabemos quem fomos.  O Prefeito do Rio de Janeiro em 1922,  Alaor Prata, solicitou os nomes dos vereadores que participaram na Independência do Brasil em 1822, pois esses vereadores cobraram do Príncipe Regente D. Pedro I, a Implantação Urgente da Independência do Brasil, fato esse que repercutiu em Lisboa na época e infelizmente, a Câmara da época não sabia, pois os seus arquivos foram queimados. Arquivos dos Cartórios, Igrejas, Câmara etc. Esse Genocídio, o único da história do Estado do Rio causado por forças governamentais, foi o início da nossa decadência.  

E - se puder, teça uma analogia dos patrimônios histórico, ecológico, humano e cultural mageenses, e fale sobre o que mais o encanta em tudo isso. 

G - Ouvi de um candidato a vereador de Magé, que quem gosta de história é museu. Esse é a mentalidade de alguns políticos da cidade. Magé é um Museu a céu aberto. 
1. Temos a 1ª. Fábrica Têxteis da Província do Rio de Janeiro, construida em 1847; 
2. Hoje possuímos o local onde foi construída a 1ª. Ferrovia do Brasil por Irineu Evangelista de Souza em 1854; Quando ouvimos falar em integração, em 1854, Magé já fazia esse tipo de viagem. Integração Barcas x trem.
3. Depois da conversa com o Coronel Ferreira, o Gaúcho, descobrir de que o Patrono do Exército Brasileiro, Luiz Alves de Lima e Silva – O Duque de Caxias, nasceu em 25 de agosto de 1803, no Arraial da Estrela, pertencente a Vila da Estrela. Cabe lembrar, que a única cidade oficialmente existente na baixada era Magé, pois Nova Iguaçu foi criada em 1833.
4. O Patrono da Banda de Música do Exército é de Santo Aleixo, o Cap Franklin Carvalho Junior.
5. Temos o único Quilombola reconhecido pela Fundação Palmares, o Quilombo da Maria Conga. Essa sim, não foi pega. Sabia fugir dos soldados do Exército, Guarda Nacional, Jagunços e Capitães do Mato, para tomar conta da Vila da Estrela, criada em 1846 e Vila de Magé, criada em 1789.  Essa história merece um filme.
6. Em Magé, nasceu o Príncipe dos Jornalistas, Alcindo Guanabara. Além de Jornalista, foi deputado federal e senador da República.
7. Temos o local onde o idealizador da República Benjamim Franklin aprendeu a ler. 
8. Temos o local onde foi desenvolvida a vacina contra a febre amarela, aplicada no exército que combatia na Guerra do Paraguai. Hoje Museu Von Martius em Guapimirim, na época Magé.
9. Temos o rio por onde passava todo o ouro que vinha das Minas Gerais em direção à Corte no Rio de Janeiro. Rio Inhomirim, com navegação diária.
10. Temos os restos do Porto Estrela, construido para abastecer todos os mineiros em direção a Minas Gerais e ao Vale do Paraíba.
11. Temos a Igreja onde foi batizado o Duque de Caxias. Igreja Nossa Senhora de Inhomirim em bongada – Inhomirim – Magé.
12. Temos várias Igrejas dos séculos XVII e XVIII etc.

E - O que você gostaria que Magé voltasse a ter, e o que deseja que nunca mais se repita na cidade? 

G - Como somos a terceira cidade mais antiga do Estado e a décima primeira em população e colégio eleitoral, nos foi retirada a Receita Federal, e temos que ir a Teresópolis que foi Magé até 1891. Foi retirada de nós a Receita Estadual, e temos que ir também a Teresópolis. Não temos IML. Não temos empresas para atender a demanda dos nossos jovens. Sendo a décima primeira cidade em população, somos a décima prieira em jovens e a décima primeira em velhos ou pessoas na terceira idade.  Não há políticas nem para um nem para outro. Temos a ligação das barcas aprovada desde 2002 pelo estado e ninguém luta por isso. O que não gostaria que se repetisse é a discriminação. Magé, hoje, não é lembrada por esses fatos históricos importantes no desenvolvimento do Brasil e sim, como cidade invisível. Ninguém sabe onde fica Magé. O Povo tem uma baixa auto estima e desesperança no futuro. Como fomos invadidos pelo exército em 1894, pelas tropas do Estado em 1919, na implantação do Comunismo e em 1964 na Revolução, gostaria que isso não ocorresse mais. Claro que tudo tem o seu limite.

E - Que retorno você tem por sua dedicação ao que faz, de parte do poder público e da sociedade, como um todo? 

G - Nenhum. Aqui sou apenas mais um que vai contar as histórias, agora em forma de vídeo, e passarei como os outros que escreveram esses livros citados.

E - Você se considera reconhecido? 

G - Não espero ter reconhecimento. Espero que a História de Magé seja reconhecida. Só isso. Só a história.  Eu não faço história, só reproduzo. 

E - Quais são a bronca e o elogio que você tem para o poder público mageense, no que tange o patrimônio histórico e cultural da cidade? 

G - Como já falei, o próprio poder público tenta resgatar a história e não consegue. Bronca é em relação ao ajuntamento de uma secretaria que abrange Educação, Esporte, Lazer, Terceira Idade, Cultura e História. Com essa riqueza toda na área de História, deveria ter alguém focado no seu desenvolvimento. Também um bom começo para a divulgação, seria começar internamente, nos nossos colégios. Não há muito interesse nisso. Aprendi a história de Magé depois dos 50 anos. E essa história não é contada em Faculdade nenhuma.

E - Se você tecesse um projeto para incrementar a vocação turística da cidade, a partir do seu patrimônio, qual seria, a grosso modo, o seu passo a passo? 

G - Como também já falei, Magé perdeu a sua identidade. O Livro lançado em 1957 chama-se MAGÉ A TERRA DO DEDO DE DEUS.  O Pico do Dedo de Deus, sempre foi de Magé, até Guapimirim se emancipar em 1990. Erradamente, a Câmara de Magé não percebeu que eles estavam levando o nosso símbolo. Como divulgar a nossa história, se em nossa bandeira não existe nada que nos identifique? Lançaremos o vídeo que fala da recuperação do Porto de Mauá. Esse seria o inicio da recuperação da nossa identidade.Projeto: Fazendo o trajeto do Imperador. Onde o turista pega a barca na praça XV e vem para Mauá e segue até Petrópolis. 

E - Qual é o assunto que mais o empolga em todo o contexto histórico e cultural da cidade de Magé? 

G - A Maria Conga é o mais precioso. Um Tesouro da Cultura, desconhecido pelos Mageenses. Não tem história mais emocionante do que esse. Não tem Zumbi, Manoel do Congo, aliás, todos foram mortos. E essa Maria, morreu de velha. Aqui no Brasil só vira história se morrer na forca, degolado, esquartejado. Morreu de forma comum.... Não tem história.

E - Que hábitos culturais você destaca, entre saudáveis e prejudiciais, da sociedade mageense? 

G - Saudáveis são alguns grupos tentando resgatar a nossa história. Existe mais gente fazendo isso. Entretanto, outros grupos sentem que essas história são de sua propriedade, e começam a dizer bobeira a respeito de novos talentos que estão aparecendo em Magé.

E - Deixamos de perguntar algo? Se for o caso, fale sobre o que eventualmente deseje, mas deixamos de abordar. 

G - Levei trinta e cinco anos trabalhando no Rio de Janeiro, falando sobre o local onde nasci. Via a empolgação das pessoas quando descobriam o valor da nossa cidade. Hoje, aposentado, continuo falando, mas de forma diferente. Vídeos, escritas. Gostaria muito que a nossa história fosse conhecida e reconhecida pelo povo Brasileiro. Tenho um orgulho bobo. O dia em que eu falar que nasci em Magé, e todos souberem onde é o meu torrão e qual é a sua importância para o desenvolvimento do Brasil e para o Estado do Rio de Janeiro, será o máximo. A Estrada do Ouro feita por Bernardo de Proença em 1724, fez um desenvolvimento tal, que o Vice-rei mudou a capital do Brasil da Bahia para o Rio de Janeiro.

E - Muito obrigados por se deixar entreolhar por nós.

G - Muito bom participar desse entreolhos. Em nome do povo mageense, agradeço. 

terça-feira, 14 de março de 2017

"A SOCIEDADE TEM A CARA DA ESCOLA" - ENTREOLHOS COM IVONE BOECHAT

Ela tem uma trajetória de vida muito intensa. Tão intensa, que até quem não a conhece pessoalmente sabe o bastante para nutrir grande admiração. Educadora, escritora, conferencista, mulher capaz de contribuir para uma sociedade viável, mesmo nos dias difíceis que atravessamos. A professora Ivone Boechat, moradora em Magé e Niterói desde menina -  é a nossa entreolhada.
E - Professora Ivone Boechat; quem nos falou a seu respeito, e sempre fala, contou sobre um tempo em que a senhora, bem jovem ainda, fundou o Centro Educacional Visconde de Mauá- no 6º distrito de Magé- uma escola com forte atuação comunitária.  Lá, realizava um trabalho notável não só como diretora, mas também como fomentadora cultural, especialmente nas áreas de literatura, música e teatro. Poderia nos falar desse período?
IB – A Campanha Nacional de Escolas Comunitária - CNEC deu o apoio para a fundação de 4 grandes escolas comunitárias no Município de Magé.  No 6º distrito, o Visconde de Mauá fez a diferença. Como educadora, me juntei à comunidade e cuidamos da expansão da cultura; escancaramos as portas da oportunidade. Quem podia pagar uma pequena contribuição estudava, quem não podia, estudava também. Fundamos a maior Banda de Música Escolar do Município. Fizemos excursão científica ao Instituto Butantã-São Paulo. Ali na Escola era todo mundo igual. Só assim dá certo. Em 1978, convidamos Garrincha e fundamos a Escola de Esportes. Eventos culturais motivam toda a comunidade.
E - Nesse tempo havia, de acordo com informações, professores que a apoiaram
incondicionalmente e também despontaram como grandes fomentadores de cultura e descobridores de talentos. Por favor, nos fale sobre essas pessoas.
IB – Sim. O grupo de apoiadores sempre foi muito grande: toda a comunidade. Pais, professores, alunos, imprensa, comércio, nunca mediram esforços. O Prefeito Magid Repani cedeu um espaço para a construção do prédio da escola e o fizemos em mutirão. Fizemos grandes festivais de música, poesia, dança, teatro, enfim, o entusiasmo foi geral. Podiam participar de tudo, todos, alunos ou não. Fizemos também o coral de pais e alunos. Todo mundo afinado.
E - Conta-se que foram muitas as descobertas de jovens talentos em todas as linguagens culturais, e que alguns desses talentos ainda estão ativos e obtiveram conquistas consideráveis. Qual é o seu depoimento a esse respeito?
IB – Promovíamos o caça-talentos na comunidade. Os alunos descobriram, morando na cidade, Ney de Lima - um dos maiores artistas plásticos do Brasil e demos apoio para a abertura da Escola de Artes de Piabetá. Sucesso! Hoje, Deneir Martins, Jorge Duarte e outros, brilham no mundo das artes. Na Academia de Letras de Magé, ex-alunos, outrora motivados nos Concursos de Poesias, ocupam várias cadeiras: Demétrio Sena, Iraí Verdan, e outros. Nos Festivais de Música promovidos, em Piabetá, descobrimos Joran (autor de Casinha branca - sucesso mundial) Nos eventos culturais, descobrimos o ainda adolescente Luís de Freitas - estilista.  O primeiro desfile de sua coleção de modas foi no C.E. Visconde de Mauá. Hoje, sucesso internacional. Faltaria espaço aqui.
E - A senhora não parou. Percorre ainda um caminho intenso e fértil tanto na educação quanto na cultura. Como é atualmente sua atuação em ambos os casos?
IB – Atualmente, e há bastante tempo, sou consultora em educação e percorro este imenso Brasil, fazendo projetos, palestras e conferências, escrevendo para Jornais e Revistas do Brasil e do exterior.
E - A senhora se importa em falar de sua formação? Só se quiser...
IB – O educador não pode se acomodar, tem que se aperfeiçoar durante toda a vida, em muitas áreas:
Curso de Produção e Criação em Rádio, Cinema e Televisão-Faculdade da Cidade, RJ.
Bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes – RJ
Graduada em Pedagogia pela Universidade Augusto Mota – RJ
Pós-Graduada em Educação  convênio MEC/CNEC- Brasília-DF
Pós-Graduada em Educação pela UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Pós-Graduada em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Augusto Motta - Rio de Janeiro
Mestre em Educação – Wisconsin International University-USA
PhD – Psicologia da Educação - Wisconsin International University-USA  

E - Em sua opinião, hoje, na cidade de Magé, tão beneficiada por seu trabalho, alguém faz algo parecido? Seu legado é estendido por alguém?
IB – O que sempre fiz no Município de Magé foi um esforço enorme, junto com os educadores para ampliar horizontes, abrindo as portas da oportunidade. Continuamos a fazê-lo. Apoio as escolas com minhas palestras. Dentre muitas outras ações, conseguimos promover, com Ney de Lima - grande mestre das artes plásticas - a Iª Gincana de Artes de Magé; depois o Iº Salão de Artes Plásticas, com o professor Armando Viana e sua esposa, Marie Louise no Júri. Armando Viana pintou em tela  Simão da Mota em tamanho natural e doou a preciosidade à Prefeitura de Magé. Espero que esteja preservado.
E - Atualmente, após tanto avanço tecnológico, a resposta social a um trabalho
parecido com o daqueles anos tem como ser semelhante? O que seria necessário?
IB – O mundo nunca deixou de avançar tecnologicamente. Isto não é empecilho para o educador. Ele faz o impossível. Seria necessário, sobretudo, que elegêssemos para o comando político alguém com visão ampliada, pessoa preparada para gerir as verbas, para enxergar prioridades, incentivar a educação. Quem não tem capacidade, além de não valorizar a cultura, aplica mal o recurso.
E - Na opinião da educadora Ivone, quais são as perdas e conquistas da educação, considerando aquelas décadas e as atuais? O que a escola ganhou e perdeu em cultura, especificamente?
IB – A sociedade tem a cara da escola, da educação, do professor. O que fizeram com a formação? O que fizeram com os cursos de formação de professores?  Quando se acha um educador, é uma verdadeira maravilha! Eles existem! A Escola é uma agência de promoção da  educação e da cultura. Há educadores no Brasil  realizando  obras fantásticas. Não se pode generalizar o mal. O espaço na mídia é restrito para divulgar coisas fantásticas na área da educação.
E - Pela sua ótica, o que falta na escola de hoje para que a sociedade volte a respirar cultura e desenvolver a sensibilidade artística de outrora?
IB – Sobram professores, faltam educadores. Sobrar professores é apenas uma crítica, porque na verdade faltam mesmo educadores. O Brasil tem professor de sobra, eles desistem do miserável salário e vão trabalhar em outra área. Precisa-se de educadores, estes seres destemidos que abraçam com muito amor a missão de educar. Não é fácil. Para que a sociedade volte a respirar cultura e desenvolver a sensibilidade artística de outrora, alguns “diretores, coordenadores, gestores” precisam acordar.
E - Até que ponto, no seu entender, as políticas públicas brasileiras desestimulam o fazer cultural entre o povo?
IB – As políticas públicas brasileiras não estão nem aí para a educação. De onde elas vêm?  O milagre da educação é feito no dia a dia. Com ou sem recurso. Claro que se o recurso conseguir driblar TUDO, chegar, já é um MILAGRE! O educador é entusiasmado sempre. Escrevi o livro Estratégias para encantar educadores na Arte de educar, contando alguns milagres da educação.
E - A senhora concorda que o poder público, em parceria com a iniciativa privada e outras vertentes da classe chamada dominante abraçaram em definitivo a reelitização da cultura, e que esse filtro condena as massas a viver de seus rejeitos? Por que sim ou não?
IB – Quem sempre esteve preocupado com o resultado da educação foi e é o educador. Sou ex-aluna da escola pública e o que fizeram dela? Não adianta o estudante passar 350 dias dentro de uma escola ruim. Não adianta esticar o número de horas, com professores despreparados!  Sempre vi projetos caríssimos, propostas mirabolantes, marketing, promessas, mentiras, mas quem arregaçou as mangas e a partir de 1943, fundou mais de mil escolas comunitárias no Brasil foi o educador Felipe Tiago Gomes, juntando-se aos colegas da Faculdade, em Recife, para criar a  CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade.  Magé foi beneficiada. Em Guapimirim, em Magé - na sede, em Santo Aleixo, em Piabetá. A primeira vez no Brasil que a peça o Auto da Compadecida foi representada em público foi num coreto de Recife, com vistas a angariar recursos para fundar a primeira escola da CNEC. Ariano Suassuna era do grupo de educadores. Foram todos para a delegacia se explicar, passaram a noite por lá, mas nasceu a escola. A proposta era interiorizar e democratizar o acesso à escola. O pobre só estudava até a 4ª Série. A CNEC chegou na frente do Estado, durante anos e anos. Ainda é assim, em algumas regiões.
E - Sobre a crise no Brasil. A senhora entende que ela é financeira, política, ética ou cultural, quiçá tudo junto? E até que ponto essa crise põe em segundo plano as questões culturais?
IB – Quando a educação está em crise, os efeitos colaterais podem se tornar generalizados, com falência de órgãos. Tem jeito. A educação é um poderoso antibiótico. O Brasil tem jeito. Será melhor prevenir com as múltiplas vitaminas do amor à educação. Fico chocada ao ver o mau uso da riquíssima cultura brasileira. É um horror. A escola tem a oportunidade máxima de valorizar a cultura. Não o faz, porque há professores sem formação no exercício da profissão (porque a formação do professor nessa área não é eficaz).  A crise que se enfrenta no Brasil é moral. Daí passa a ser  financeira, política, ética e cultural. Há uma geração chegando, é preciso começar na mais tenra idade a educação.
E - Fale um pouco da Ivone conferencista.
IB - Já ministrei palestras e conferências em todo o território brasileiro, na América Latina e muitas cidades americanas. Considero um privilégio e não perco a oportunidade para educar.
E - Da Ivone Mulher.
IB - Sou casada há meio século com Nelci Ribeiro de Oliveira, temos dois filhos; Flávio- Fisioterapeuta e professor da Universidade Estácio de Sá – atualmente faz doutorado na UERJ; Silvana - professora e psicóloga; temos quatro netos. São estudantes: Yuri, Caio, João Pedro e Raquel.
E - Da Ivone que hoje revela nas redes sociais uma profunda preocupação com as questões da terceira idade.
IB – Cheguei muito bem à terceira idade, então escrevo artigos e faço palestras nas Universidades e outras Empresas sobre o assunto. Ano passado, 2016,  fiz a conferência de encerramento do Fórum da Terceira Idade na UNICAMP.
E - Da Ivone cristã, que se revela também publicamente, preocupada com a banalização e os excessos que chegaram à música de fundo religioso.
IB -  Como educadora tenho o dever de orientar sobre o uso do som. Há um exagero no volume do som e isto prejudica a saúde mental. Saio por aí ajudando a entender que não se pode transformar tudo num show. Há lugares próprios para quem aprecia o som com 150 decibéis; acima dos decibéis  recomendados para a preservação da saúde humana.
E - Por fim, da Ivone escritora, os muitos livros editados e os assuntos que eles abordam.
IB – Abordam sobre a possibilidade de alcançar o alvo estabelecido pelo educador, não se amparando em “promessas’ de melhores dias e nos fracassos políticos.
A família no Século XXI -3ª.edição
Amanhecer - poesias– 3ª edição
Amor – A força mágica da Educação - et alii
Competência Emocional4ª edição
Educar para a felicidade – 3ª edição
Escola Comunitária – 4ª edição
Escola, doce Escola – 6ª edição
Estratégias para encantar educadores na arte de aprender
Memórias de uma Filha de Pastor
Nós da educação
Nós, mulheres
O Desafio da Educação para um Novo Tempo – 3ª edição
O futuro chegou – 2ª edição
Por uma Escola Humana – 4ª edição
Projeto Político Pedagógico da Escola Comunitária et alii
Reflexões sobre a nova LDB - livro escrito sob coordenação do Ministro da Educação Murilio Hinge l- governo Itamar Franco.
Uma Escola que Ensina a Amar – 5ª edição

E - Gostaria de falar sobre algum assunto não abordado? Fique à vontade.
IB – Quero agradecer pelo espaço concedido e a oportunidade de expressar as minhas ideias. Muito obrigada!
E - Muito obrigados pela gentileza de nos permitir entreolhá-la.

segunda-feira, 13 de março de 2017

"A MÚSICA ESTÁ SENDO TRATADA COMO ALGO DESCARTÁVEL" - ENTREOLHOS COM ÉRIC FANUEL

Músico e banda em espetáculo
Cantor, compositor, sambista que valoriza as raízes culturais do estilo. Ele também atua como articulador cultural na cidade de Magé - RJ, faz parte da Academia de Ciências, Letras e Artes de seu município, e ainda está prestes a lançar um livro sobre sua trajetória. Seu tempo sempre abarrotado de atividades não impediu que ele nos atendesse com atenção, gentileza e uma dose surpreendente de humildade. Éric Fanuel é o nosso entreolhado de hoje. 

E - Olá, Éric. Você é cantor, compositor, e atua em diversas atividades culturais dentro de sua cidade, o Município de Magé. Fale um pouco de sua atuação, tanto como músico quanto como ativista cultural.

EF – Primeiramente, é um prazer estar com vocês. Canto há 23 anos e atuo na área cultural geral desde 2006, quando decidi lembrar a Velha Guarda do samba mageense, premiando mais de 100 personalidades entre os que estavam vivos e os que já partiram, e que receberam seus prêmios pelas mãos de suas famílias. Daí em diante passei a procurar mais os ativistas culturais, sempre reunindo em eventos, principalmente gratuitos, para divulgar a arte em geral. Na minha trajetória pessoal, consegui algumas premiações importantes, destacando os nove prêmios de melhor samba do carnaval em Guapimirim, o Troféu Baixada 2014, na categoria Música, e a nomeação para a Academia de Ciências, Letras e Artes de Magé, em 2015.

E - Você é sambista. É uma prática musical exclusiva, ou você também atua em outros estilos?

EF – Comecei cantando na igreja. Quem canta na igreja, canta todos os ritmos. Minha vertente é o Samba. Mas canto MPB também. De preferência, assim como no Samba, de raiz.

E - Como é a sua cidade, Magé, no que tange a demanda de talentos musicais e outras modalidades de cultura?

EF – Muito rica. Magé tem uma variedade imensa de artistas e ativistas culturais em todos seus distritos.

E - E o que dizer, também em sua opinião, do apoio oficial e da iniciativa privada aos
Éric, de azul, com o amigo e também músico Vitinho

que praticam e aos que têm o hábito de consumir cultura? Magé, além dos talentos, dispõe também de ambientes onde a cultura tem vez?

EF – Passei pelas duas possibilidades. Durante anos realizei meus projetos com o apoio da iniciativa privada e com meu próprio investimento, que quase nunca retornava. A iniciativa privada é complicada, por achar que fazer cultura é de graça ou quase de graça. No Poder público, sempre fui acolhido de alguma forma. Mas hoje o Projeto em si não é mais meu projeto. Foi abraçado pelo Poder Público que conduz o projeto, junto comigo, é claro.

E - Quais são as maiores dificuldades que uma pessoa como você encontra, quando resolve dar vazão, publicamente, ao talento artístico?

EF – A maior dificuldade é quando as pessoas fazem questão de que você continue, mas não querem pagar o preço pelo acesso à cultura.

E - Você acha que o artista, de forma geral, ainda é apontado na sociedade como uma pessoa ociosa, pelo menos enquanto não alcança prestígio ou sucesso popular?

EF – Pela sociedade não. Mas pelos empresários sim. É a velha história da cigarra e da formiga. Mas se a cigarra não canta...

E - Com que frequência você já sentiu ou sente esse tipo de preconceito?

Cantando para a multidão
EF – Não muito. Porque hoje eu não busco esse tipo de reconhecimento. Quero apenas levar meu trabalho.

E - Você já consegue viver de música? Se ainda não, pelo menos completamente, o que falta para isso? É um projeto seu?

EF – Nunca vivi da música. Já foi meu projeto. Mas hoje não é mais. Faltou no momento certo, eu ter o conhecimento que hoje tenho de direitos e produção. Hoje não planejo mais isso.

E - Com que tipo de apoio você conta, hoje, para desenvolver seu trabalho, e com que tipo de empecilhos ainda lida, se por acaso lida?

EF – Meu trabalho hoje é mais de divulgar o artista em geral. Acabou virando minha profissão, pelo trabalho que desenvolvo hoje no poder público.

E - Ao que se sabe, atualmente você trabalha em uma fundação de educação e cultura. É uma entidade privada ou do poder público, e de que instância? Como você atua nessa fundação, e como a fundação atua?

EF – A Fundação Educacional e Cultural de Magé é uma autarquia que conta com repasse municipal institucionalizado, da Prefeitura de Magé. Minha atuação oficialmente é de Agente Administrativo, mas utilizamos de meu conhecimento no meio para atrair os artistas da cidade, para dar visibilidade a todos ou, pelo menos, todos os que alcançarmos. A Fundação tem como missão fomentar a cultura no município e vem nos últimos meses cumprindo com diversos projetos culturais de várias vertentes.

E - Já teve ou tem alguma bronca muito forte contra o poder público de sua cidade,
relacionada à qualidade de vida cultural disponível?

EF – Eu nunca tive bronca. Porque o Poder Público nunca me negou a possibilidade de seguir com os meus projetos. Hoje o Poder Público é que assumiu a responsabilidade pelos projetos, deixando assim de ser um sonho meu e passando a ser um sonho de todos os artistas mageenses, que têm seu espaço garantido para atuação, pelo trabalho da Fundação.

E - Para você, como estão sendo tratadas a música e outras artes pelas empresas, a sociedade brasileira e o poder público nacional?

EF – Difícil falar disso, porque a música está sendo tratada como algo descartável, principalmente pelos pseudomúsicos que para vender, se sujeitam a qualquer coisa. As empresas querem o que vende. As artes em geral cresceram muito nos últimos anos, principalmente com a profissionalização dos agentes culturais.

E - A seu ver, como soa o discurso maciço do fazer cultural em um país que atualmente respira a cultura da corrupção?

EF – Na verdade, muitas portas se fecharam por conta da corrupção. Hoje a corrupção, por mais que ainda sobreviva, e com força, já é algo mais combatido. Espero melhoras nessa luta.

E - Você tem CDs, algum site ou músicas disponibilizadas em outras formas de mídia? Caso sim, fale-nos a respeito.

EF – Tenho dois CDs gravados. Em 2014 gravei o Além do samba, comemorando 20 anos de carreira, com sucessos imortalizados por outros cantores nacionais. Em 2015 lancei o cd Patente, com músicas do compositor Niteroiense General do Batuque. Trabalho esse cd até hoje.

E - Soubemos que você prepara um livro para lançamento em pouco tempo. Isto se confirma? Sobre o que seria seu livro?

EF – Sim. Meu terceiro livro, Simplicidade conta minha trajetória após começar na música.

E - O que você teria para dizer a quem dá seus primeiros passos em alguma forma de fazer cultural?

EF – Faça com amor. O que te completará virá por consequência.

E - Deixamos de abordar algum assunto sobre o qual você gostaria de falar? Fique à vontade.

EF – Acho que foi um bom papo. Nada mais a acrescentar.

E - Muito obrigados. Foi um grande prazer entreolhá-lo


EF – Eu que agradeço esse olhar por nossa cultura.