sexta-feira, 23 de junho de 2017

'NUNCA TRAIA O QUE VOCÊ ESCREVEU' - Entreolhos com Gerson Monteiro

Gerson Monteiro é um jovem escritor do bairro vale das Pedrinhas, em Guapimirim, que vem alcançando notoriedade com sua forma singular de escrever. Autor de cinco livros - três de poemas e dois romances -, Gerson, que tem pouco mais de vinte anos prepara mais um romance, que formará uma trilogia com os anteriores DOIS MUNDOS e DOIS MUNDOS DOIS, nos quais ele narra com muita sensibilidade e sem dramalhões, um drama que ainda atravessa, mas está prestes a vencer, e não detalhou neste entreolhos. Gerson Monteiro, filho da artista plástica Sônia, já  entreolhada por nós, é o nosso convidado.

E – Gerson; com pouco mais de vinte anos de idade, você já é um autor destacado em Guapimirim, sua cidade;  na cidade vizinha, Magé, e vem gradativamente conquistando espaço em toda a baixada fluminense. Fale para nós, sobre como se deu esse processo em tão pouco tempo, e quando foi seu início.

G – Eu comecei a escrever para desabafar, e notei que as pessoas começaram a curtir aquilo. Logo comecei a escrever por prazer. Devo meu reconhecimento a minha mãe Sônia Monteiro que me colocou em vários eventos, e amigos como o escritor Demétrio Sena que sempre fez despontar o meu nome.

E – Quais foram os livros lançados por você até o momento, e quais são as suas temáticas? 

G – Cuca Legal, O Segredo Da Vida, A Nova Poesia, Dois Mundos e Dois Mundos Dois. Os três primeiros são de poesias, ou de alguma forma poéticos, os dois últimos são romances.

E – Você tem a sensação de que já é consagrado em seu meio? Por que sim ou por que não, e o que você espera de seu futuro como escritor?

G - Tenho a sensação de que não sou consagrado, espero ser no futuro.

E – Fale-nos do escritor Gerson Monteiro entre família. Como você se vê nos olhos de seus familiares, em especial seus pais?


G - Meus familiares me veem como uma pessoa legal, meus pais simplesmente me amam. Acho que não existe amor maior que o deles por mim. Se existe, ainda não encontrei.

E – Quais são os seus temas prediletos, ao escrever? Sobre o que você mais gosta de escrever, e por que razão?

G - Eu gosto de escrever poesias, porque acho que se tem total liberdade na hora de escrever uma poesia. Você pode escrever o que quiser e isso é algo especial

E – Sabe-se que você teve que dar uma pausa, por questões de saúde, não exatamente no ato de escrever, mas nas atividades públicas relacionadas à literatura. Quer falar a respeito? Só se quiser.

G – prefiro não comentar, porque não é como se eu decidisse dar uma pause nas minhas atividades, eu fui obrigado a parar e isso me deixou triste.

E – Ao que sabemos você tem três livros de poemas e dois romances publicados. Parece-nos que os romances falam de você em terceira pessoa. É isso mesmo? O que você relata nesses livros?

G – Sim, eu tinha a ideia de um romance e minha experiência de vida. Foi com isso que comecei a escrever

E – Também sabemos que o seu próximo livro será outro romance. De que trata esse romance? Uma continuação dos anteriores, DOIS MUNDOS e DOIS MUNDOS DOIS? Fale sobre ele, se puder.

G – Na verdade meu próximo livro será sobre minha doença, eu decidi me abrir. Mas sou do tipo que só consegue se abrir para um papel em branco.

E – Que tempo mais você estima, para voltar à carga em suas atividades literárias, no que tange apresentações, lançamentos e outros desempenhos?

G – Meu desejo é voltar o quanto antes.

O autor com a mãe, Sônia Monteiro
E – Considerando o contexto de sucesso no meio musical, qual é a sua definição de sucesso para um escritor? O que é ser bem sucedido como escritor?

G – Acho que é alcançar o reconhecimento das pessoas. Saber que as pessoas ligam você a um texto seu. E ter vários fãs, é claro! (riso)

E – Qual é o processo de edição e distribuição de seus livros? Como você faz para lançá-los e vendê-los?

G – Atualmente eu fecho um contrato com a Editora Costelas Felinas, que fabrica os meus livros e os envia para mim. Então eu os vendo em eventos, exposições e a qualquer momento a quem possa interessar.

E – Tem algum apoio de alguma empresa ou do poder público? Quem o apoia, de fato, e de que forma?

G – Infelizmente não tenho apoio algum desses meios.

E – A partir de suas observações como escritor: a baixada fluminense lê? E as cidades de Magé e Guapimirim, onde sua atuação é mais forte? São cidades cujos povos leem? Fale a respeito.

G – Sim, conheço muitas pessoas que gostam de ler; o problema é que essas pessoas não estão conectadas umas com as outras ou com o grande público, para contagiarem a todos com esse gosto por leitura.

E – Você é membro de uma academia literária. Como é ser acadêmico? Quer falar a respeito da academia e de como você se relaciona com seus pares?

G – É uma grande honra para mim, ser um membro da ACLAM (Academia de Letras e Artes de Magé), mas atualmente não estou um membro afetivo, por isso não posso
comentar.

E – Quais são os seus projetos, em longo prazo, para sua carreira como escritor?

G – Escrever um livro sobre um super herói, sempre foi meu sonho.

E – Se puder, deixe uma mensagem para jovens como você, que sonham ser escritores.

G – Nunca traia aquilo que escreveu!

E – Baseado em seu drama pessoal e a superação que você vem alcançando na luta contra ele, deixe também uma mensagem aos leitores.

G – Encare o problema, é melhor lutar do que sentar e esperar o desfecho.

E – Quer falar sobre algo que não perguntamos? Esteja à vontade.

G – Obrigado pela oportunidade; é uma honra para mim, ser entreolhado.

E – Nós é que agradecemos; o seu entreolhos nos enriquece.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

'CRESCEMOS SOB A TUTELA DE UM CONTEÚDO ENCAIXOTADO' - Entreolhos com Ludo Lopes

Ele é professor de filosofia no ensino médio, pela rede pública estadual. Vive, como todos os profissionais públicos do Estado do Rio de janeiro, as agonias e previsões desanimadoras que assolam não só o estado, mas todo o país, por meio das grandes mídias. Vive também, as expectativas e dúvidas sobre as novas possíveis políticas de ensino, pretendidas pelo governo federal. Luís Cláudio, o Ludo Lopes, é o nosso entreolhado.

E - Entre a infância e a adolescência, muitas pessoas acreditam que o filósofo é um escritor de frases. Com essa crença, são muitas as crianças e/ou adolescentes que passam a escrever pequenos textos, ou pensamentos, e se auto-intitulam filósofos. Até que ponto essa fantasia tem alguma conexão com a realidade, se é que tem?

LL - Na verdade não tem tanto a ver com a realidade. Mas podemos fazer uma conexão com o fato de serem utilizadas pequenas afirmações soltas de pensamentos complexos dos filósofos mais conhecidos. O problema é que isso acaba criando uma visão equivocada do filósofo no imaginário social: acredita-se que o filósofo, e a própria filosofia, sejam dados a meras opiniões acerca dos mais variados fenômenos naturais ou sociais. Na sala de aula, por exemplo, nós, professores de Filosofia, nos confrontamos com essa questão. Os alunos sempre acham que em filosofia qualquer opinião basta. E isso está longe de ser Filosofia.

E - O que é, e do que trata a filosofia, em suas palavras, dispensando o sentido ou contexto exato ou formal da disciplina?

LL - A própria palavra já nos dá o entendimento dessa área tão antiga do conhecimento: filosofia significa a busca da sabedoria. Então, nada mais é do que uma busca. Um desejo do homem em buscar muito mais do que informações e conhecimento. Busca-se a sabedoria, ou seja, a capacidade de olhar de maneira sempre nova algum aspecto natural ou social para, assim, partindo da racionalidade chegar a uma explicação provável e coerente. A sabedoria transcende a informação e o conhecimento. Mas não há um caminho demarcado para chegar a ela, cada um precisa buscar sua maneira de buscá-la. Portanto, muito mais do que ensinar Filosofia, o professor deve "ensinar a filosofar" como bem disse Kant.

E - Você é um professor de filosofia, e trabalha com alunos do ensino médio. Em sua opinião, onde está a importância do estudo da disciplina, nessa fase escolar?

LL - O ensino e a própria escola são um meio de manipulação das massas. Crescemos em uma caixinha murada, sob a tutela de um conteúdo encaixotado e controlados por um horário em grade, com livros predeterminados pelos governos... enfim, desde criança somos induzidos a aceitar a realidade tal como nos é apresentada. E a Filosofia mexe justamente com as estruturas predeterminadas. Ela nos leva a olhar a tudo com outros olhos, nos tira da comodidade das verdades absolutas e nos obriga a buscar uma maneira particular para reconstruir a ideia que fazemos da realidade.

E - É muito importante para você, avaliar com vistas à aprovação ou reprovação, o desempenho dos alunos em sua cadeira, ou você fica feliz, realizado, e considera, ao notar que um aluno, embora não tenha ido bem num teste ou prova, entendeu seus conteúdos? Por que sim ou por que não?

LL - Fico feliz quando percebo que um aluno acompanhou a reflexão e a argumentação de algum filósofo. Acho inclusive que esse aluno chegou a um nível bem maior do que aquele que apenas sabe o que foi dito. Quando o aluno ultrapassa as informações e começa a dialogar com a reflexão apresentada, ele começa a compreender e exercer o que chamamos filosofia.

E - Quem se forma em filosofia é, necessariamente, um filósofo?


LL - Não. Como já disse, não é a informação que faz o filósofo, mas uma busca. Isso pode acontecer dentro ou fora da Academia. A maioria dos estudantes de Filosofia estaciona na história da Filosofia. Isso acontece justamente porque o próprio ambiente acadêmico tem se tornado ao longo do tempo um campo de repetição de pensamentos. O sistema que embrutece o Ensino Básico é o mesmo que opera no Ensino Superior.

E - Se não fosse para ser professor, nem especificamente filósofo, qual seria o objetivo de quem escolhe cursar filosofia, no ensino superior?

LL - Quando se escolhe Filosofia na juventude, estamos levando em consideração nossas utopias acerca da sociedade. Realmente queremos compreender o Mundo. Estamos escolhendo buscar um caminho para essa compreensão. É bem verdade que, com um mundo capitalista a nossa volta, acabamos nos rendendo a buscar sustento. Mas o objetivo inicial tem a ver com os ideais.

E - Se um de seus alunos se apaixonar pela filosofia, disser que a escolheu para o curso superior, mas não deseja lecionar, no futuro, o que você terá para dizer, caso ele peça sua opinião?

LL - Diria que no Brasil é complicado. Primeiro, que seja na sala de aula ou fora dela, quando o bacharel em Filosofia apresenta suas ideias, ele estará sendo um mestre, trazendo um novo olhar sobre uma realidade. Em última análise, quem se forma em Filosofia, será sempre um professor. Muitos ensinaram a Filosofia, alguns ensinarão a filosofar. Mas todos nós ensinaremos de alguma forma.

E - A educação já perdeu, ao longo dos anos, disciplinas como OSPB, Educação Moral e Cívica entre outras. Para você, o que significaria ou qual seria o impacto de uma possível exclusão dessa disciplina, no currículo escolar?

LL - Ao tornar a Filosofia disciplina obrigatória no Ensino Médio, dá-se ao estudante a possibilidade de olhar o mundo de maneira diferente e, sobretudo, criticá-lo. Percebemos isso quando analisamos os anos seguintes ao retorno da Filosofia no currículo escolar: a participação dos jovens e adolescentes nas manifestações recentes (sejam elas de direita ou esquerda) tem aumentado bastante. Retirar a Filosofia das escolas é frear o pensamento crítico da sociedade.

E - Qual é o papel da filosofia na sociedade, como um todo?


LL - Exatamente esse, cultivar um olhar capaz de criticar verdades absolutas para desconstruir a sociedade e buscar novos caminhos, novas construções.

E - Quais são os filósofos que mais o encantam e sobre os que você mais gosta de falar, na sala de aula?

LL - Dos antigos, gosto muito do Heráclito, que assinala a mudança, a transformação, o "DEVIR", como base para a realidade. Mas gosto também de Jean-Paul Sartre, ele defende que a existência precede a essência. Diz que o homem é fruto de suas próprias escolhas e que este está condenado a ser livre. É sobre isso que gosto de falar: escolhas, liberdade e responsabilidade.

E - E os alunos? Como você percebe que os alunos recebem a disciplina? Em sua opinião eles gostam, aceitam porque não há outro jeito, ou até passam a gostar?

LL - Acredito que, assim como qualquer outra disciplina escolar, está complicado conquistar o interesse do aluno. Porém, mesmo em dias nos quais aprender passou a ser obrigação ao invés de prazeroso, a forma com a qual o professor lida com a disciplina e com os alunos, além do vocabulário utilizado para apresentar suas reflexões, sejam determinantes em como os estudantes vão lidar com a Filosofia. Se o professor consegue estabelecer um elo da Filosofia com a realidade de seus alunos, eles passarão a gostar, pois ela é natural do homem.

E - Você é um professor que ensina o necessário e obrigatório, ou gosta de... digamos, filosofar com os alunos, independente das aulas?

LL - Costumo passar o obrigatório, pois é isso que é cobrado no Enem ou qualquer prova que se cobre Filosofia, mas gosto de debater e trazer temas atuais para a sala. Assim os alunos percebem porque a filosofia é muito mais prática do que se pensa.

E - Quais são as outras disciplinas que você acha que interagem perfeitamente com a filosofia? Ou não há?

LL - Costuma-se dizer que a Filosofia é a mãe de todas as disciplinas, visto que no fim das contas todas surgiram do interesse em buscar a sabedoria em alguma área. Assim, a Filosofia se liga a qualquer área do conhecimento. Por outro lado, gosto da ideia que se tem de que Filosofia, História e Artes sejam disciplinas irmãs. As três trabalham com a desconstrução do real, cada uma do seu jeito, mas sempre estarão nos tirando da zona de conforto.

E - Quando e onde você se formou em filosofia, e quais são suas possíveis formações adicionais, formais ou não?

LL - Me formei na UERJ, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Lá também iniciei minha vida artística. Também sou ator de teatro e palhaço. Amo a arte da risaria e adoro o mofo das coxias dos teatros!

E - Você atua no ensino público estadual do Rio de Janeiro. Com os problemas que a
educação pública enfrenta, como todos os setores país afora, qual é o maior desafio de um professor, seja ele de qualquer disciplina?

LL - O maior desafio de qualquer professor hoje é despertar o interesse dos alunos. O mundo está muito rápido e tudo está sendo transformado em descartável, até o ensino.

E - De zero a dez, qual é a sua nota para o poder público estadual, no que tange a importância que o mesmo demonstra dar aos estudantes e aos profissionais da educação? Se quiser, além de responder, comente sua resposta.

LL - O ensino público só foi levado minimamente a sério pelo Estado quando era direcionado a uma pequena parte da sociedade. A partir do momento que o pobre começa a ter acesso a ele, tudo muda: escola e professor foram abandonados pelos Governos. Hoje, chegamos ao cúmulo de desejar o retorno de práticas escusas para acabar com a violência. A educação e o ensino nem são cogitados como peça fundamental para mudança de paradigmas. Acredita-se mais na bala que sai do cano de uma arma do que nas palavras de um professor. Isso é a prova de que o Estado foi incapaz de pôr em prática o ideal da educação como único caminho viável de transformação da sociedade.

E - Antes de fecharmos este bate papo, você gostaria de falar algo sobre as novas políticas de ensino pretendidas pelo governo federal? O que elas significam para um professor de filosofia?

LL - Não concordo com as mudanças da maneira que estão pretendendo. Tornar o Ensino mais técnico não é avanço. Já passamos por isso há décadas atrás e não foi suficiente para melhorar nossa sociedade. Enquanto os Governos olharem o ensino apenas pelo olhar estatístico e/ou econômico, não chegaremos a lugar algum. É preciso humanizar a escola! É preciso que o ensino seja voltado para a emancipação pessoal de cada aluno. Ensinar uma profissão só emancipa financeiramente e a escola precisa cultivar uma emancipação total do ser humano.

E - E o que significam na prática, para os alunos, em um contexto global?

LL - Na prática, estaríamos voltando a um modelo no qual a escola fabrica novos trabalhadores para que o sistema continue funcionando. Novamente negamos ao estudante mais pobre a possibilidade de conduzir a própria história com as mesmas oportunidades que os filhos das classes média e alta.

E - Deixamos de perguntar algo que você ficaria feliz em responder? Fique à vontade.

LL - Apenas agradeço por me darem espaço e poder apresentar minha visão sobre o mundo e a educação. Espero contribuir para que esse debate não se apague.

E - Muito obrigados. Entreolhá-lo foi um grande prazer.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

"O QUE É DIVINO PARA VOCÊ?" - Entreolhos com Bianca Santana

Artista plástica e artesã, Bianca Santana é um dos nomes que se destacam na baixada fluminense, na zona oeste do Rio do Janeiro e na região serrana. Nas cidades de Magé e Guapimirim, região onde mora, sua atuação é ainda mais intensa: participa de quase todos os movimentos culturais e tem uma relação de muita interatividade com artistas e escritores do lugar. Bianca Santana é a nossa entreolhada.

E – Olá, Bianca. Nossa pergunta inicial para você é clássica: quando foi que você sentiu que era uma artista? O que a fez despertar para o seu talento?

B – Na época em que comecei a fazer “os divinos”. E logo depois, quando fiz uma viagem a Pedra de Guaratiba, onde me repensei e organizei minhas ideias. Ao entrar em contato com o coletivo “mulheres de pedra”, percebi que era aquilo que me movia: a liberdade de expressão daquelas pessoas... Eu quis ser mais livre também. Durante o processo da criação dos divinos, fui me recriando também... Soltando algumas amarras, algumas percepções antigas sobre mim e o mundo, procurando o sagrado dentro de mim, mas não num sentido estritamente religioso, e sim, no sentido daquilo que é sagrado em mim como “ser humano”.    

E – Você é mais artesã ou artista plástica? Existe algum conflito interno entre ambas as modalidades praticadas por você?

B – Sou as duas coisas... Nas mesmas proporções. Penso que nunca houve este conflito. Eu acredito que, tanto o artista quanto o artesão estão sempre envolvidos na transformação: seja de matérias-primas ou percepções. Então, consequentemente, alteramos a realidade, o comportamento e a vida das pessoas.

E – Diga-nos onde você mora. Em que cidade. E qual é a sua relação, como artista e artesã, com a cidade onde mora?

B – Antes da emancipação, morava em Magé, mas hoje em dia, moro em Guapimirim. Assim, na cidade onde moro, minha relação é quase nenhuma. Já em Magé, participo, dentro do possível, de Fóruns de Cultura, de exposições coletivas. Mas... Gostaria muito de estreitar esta relação com Guapimirim. 

E – Você vive de sua arte? Até que ponto ela é especificamente um prazer, e onde se torna uma fonte de renda?

B – Atualmente, sim. Ela é um prazer quando tenho liberdade de criar espontaneamente, sem regras ou objetivos finais. Ela passa a ser uma fonte de renda quando tenho que me inserir em algo preestabelecido por alguém ou por algum projeto.

E – Quais são as maiores dificuldades de quem trabalha com arte em sua região e nas demais aonde você leva o seu trabalho?

B – Na minha região, é o reconhecimento. Parece que não há valorização dos artistas e artesãos locais. Nas demais localidades me parece que a aceitação é mais fluída e sem preconceitos, pois  não conhecem o meu trabalho, ou nem sabem que eu sou da baixada fluminense. Por exemplo, se você diz que é artesão lá de Minas, as pessoas te acolhem, parece que “você é uma nuvem fofa lá de Minas”, mas, quando você diz que é de Magé, da baixada, logo associam à criminalidade, à política de corrupção, desqualificando previamente o seu trabalho. Mas nem por isso, deixo de dizer de onde sou.    

E – Fale-nos de apoio: do poder público, amigos e família. De onde vem maior apoio, de que natureza, e de onde não surge nenhum apoio, se é que isso acontece?

B – O apoio do puder público é quase nulo. A família, “cai” um pouco naquela coisa de “como olha muito, acaba não vendo”! Salvo a minha prima Carine e meus dois filhos – Ana Clara e Lucas! Já os amigos, de onde vem o maior apoio, são bem acolhedores e críticos, sugerindo, pedindo explicações... E de forma efetiva, tive e tenho o apoio de empresárias, do ramo de cafeterias, onde fiz minhas primeiras exposições individuais. 

E – O seu meio é muito competitivo? Em que momentos você percebe que a competição é sadia, ética, e em que momentos ela se torna predatória, perniciosa e antiética? Ou não existe isso?

B – Sim... No momento em que as pessoas precisam afirmar seu trabalho. É inerente ao artista/ artesão, precisar estar em destaque.
Ela se torna antiética quando você não compartilha possibilidades de trabalhos em coletivos, quando são tecidos comentários pejorativos em relação à arte do outro. 

E – Por favor; faça para nós um passeio por suas exposições individuais realizadas até agora.

B - Mostra de Arte interativa: “O que é Divino para você?” No Cheirim de Café, em Teresópolis - Maio de 2015.
Mostra de Arte Interativa: “O que é Divino para você?” Cassino Municipal de Paracambi - Setembro de 2016.
Mostra de Arte Interativa: “O que é Divino para você?” Acontecerá em 17 de junho de 2017 - Bendito Café Andorinhas - Magé
Mostra de Arte interativa: “O que é Divino para você?” Agendada para Julho de 2017- Datas a confirmar na Comedoria Café - Teresópolis

E – Relate suas participações, pelo menos as que você recorde, em eventos culturais coletivos.

B – Fóruns Culturais da Baixada Fluminense, 2016-2107 (Paracambi, Magé, Guapimirim)
Folclovera – Calçadão de Magé, Setembro – 2016
Arte em Movimento - Magé, Maio, 2017
ExpoArte - Magé, Novembro 2015
Workshop de Performance e Intervenção Urbana “Veste Mundo”, realizada pela Ação Educativa do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea – Abril, 2015
Fórum de Políticas de Cultura de Guapimirim - Junho, 2017. 

E – A partir de suas vivências como fazedora de cultura, você concorda em parte, completamente ou não concorda com a máxima de que o “profeta” não em valor na própria terra? Por que razão?
B - Sim, concordo completamente e foi algo que citei na resposta à pergunta sobre as dificuldades enfrentadas pelos que trabalham com arte na minha região. Às vezes tenho a sensação de que as pessoas não se acham merecedoras de algo bom, como se não fosse possível ter algo de valor tão próximo a elas.  

E – Você está trabalhando na elaboração de um novo projeto pessoal. Uma exposição de seus trabalhos. Onde será essa exposição? Quando? Quais são as suas expectativas para ela?

B – Na realidade, não é um novo projeto. Trata-se da continuidade da exposição interativa “O que é Divino pra Você?”, na qual eu desloco o sentido estritamente religioso do Divino para um lugar de reflexão individual, onde cada possa repensar o que é divino para si. Esta é a minha expectativa... Intervir e despertar esta reflexão.
A exposição vai acontecer em uma cafeteria, que fica em Santo Aleixo, no Bendito Café, com abertura dia 17 de Junho, deste ano, às 18h.  

E – Pedimos agora, que você fale do outro. Quem são os alvos de sua admiração entre os que fazem cultura em sua cidade? Se não achar polêmico, fale dos que mais admira, e por que razão.

B – Admiro o trabalho do ator, diretor e escritor de teatro, Patric Rosa por seu talento, garra, perseverança e disposição. É exemplo, ao manter uma ONG com um mínimo de apoio.  Ele, com seu trabalho com jovens atores (diga-se de passagem – maravilhosos) oferece oportunidade de encontros com Arte e reflexões sobre a vida.    

E – Pedimos agora, que você faça um elogio e dê uma bronca, em separado, em alguma instituição pública ou privada, ou representante, que tenha como atribuição – ou pelo menos uma de suas atribuições – o apoio à cultura.

B – De maneira geral, as instituições públicas deixam a desejar, na medida em que escolhem “a dedo” quem será contemplado com o apoio a projetos, não parecendo haver critérios claros nas escolhas.

 E – Quais foram as pessoas que mais a apoiaram até hoje, no que tange o seu fazer cultural?

B – Em termos concretos, obtive apoio das empresárias, proprietárias dos cafés que abrigaram as minhas exposições. De forma subjetiva, os Fóruns sempre foram espaços de reflexões e trocas, bem como pontes para conexões com outras pessoas ou coletivos de Arte.  

E – Não precisa dizer nomes, mas, houve ou há quem tenha tentado ou tente, de alguma forma, desqualificar seu trabalho? Qual foi ou é o resultado?

B – Felizmente não.

E – A Bianca pessoa é muito diferente da Bianca artista e artesã, ou você acha que ambas são bem parecidas? Talvez uma só?

B – Acho que ambas são bem parecidas... De fato, uma só. Sinto-me única nisso... Aonde vou estou sempre conectada comigo, com o meu divino. Por exemplo... Nestes dias fui almoçar e vi um piano fechado... Meio abandonado... Minha vontade foi a de fazer uma intervenção e colocar uma placa, escrito: “Por Favor, Toque-me”... Como um apelo. Porque é muito triste um piano que não pode “ser um piano”.

E – Como você classifica a participação real do poder público em todas as instâncias, na vida cultural das cidades, os estados e o Brasil como um todo? E na sua cidade? Como é?

B – Penso que o poder público não se interessa pela Arte... Pelos pequenos coletivos. A Arte não interessa muito, pois quebra padrões, gera reflexões, causa incômodo, cria pensadores, formadores de opiniões, faz você sair do senso comum e isso não interessa ao poder público. Quanto mais leigo você for, mais manipulado você é. Na minha cidade, não é diferente.

E – Deixe aqui uma mensagem para as pessoas que a apoiam e demonstram admiração pelo seu trabalho.

Para o artista, um elogio funciona como fonte de inspiração. Mas, mais do que ser admirado, nós temos a necessidade de sermos entendidos. É saber que causamos no outro algum tipo de intervenção. Mas eu gostaria de dizer a estas pessoas que me admiram que o os seus olhares, mesmo que calados, ainda dizem muito.  

E – Quer deixar uma pergunta no ar, feita a quem você queira sobre a importância do apoio à cultura?

B – Com tantas mudanças, não saberia nem mesmo a quem perguntar.

E – Se deixamos de perguntar algo sobre o que você gostaria de responder, responda mesmo assim. O espaço é seu.

B – Gostaria de falar sobre a Arte e a Saúde. Tendo eu seis anos de trabalho em Saúde Mental, pude ver o efeito da Arte sobre as pessoas. A partir dos Fóruns, por meio da fala de uma psicóloga, percebi que os grandes geradores de saúde são as produções artísticas, os coletivos, os pequenos teatros – como o de Patric Rosa, como o trabalho de Sônia Monteiro, que leva a Arte às pessoas que são “querentes” de tudo... Como o trabalho de Demétrio Sena, que com seu olhar raro, extrai beleza de locais áridos e esquecidos. Pude perceber que não são os hospitais os grandes geradores de saúde, e sim, as pequenas iniciativas, que na maioria das vezes são invisíveis e silenciadas pelo poder publico.


E – Muito obrigados; foi um prazer imenso entreolhá-la.

domingo, 4 de junho de 2017

'POR ONDE PASSAMOS DEIXAMOS UM POUCO DE NÓS' - Entreolhos com Sônia Monteiro

O grupo Arte em Movimento, criado pela artista plástica Sônia Monteiro, de Guapimirim, acaba de conquistar uma importante premiação. Sônia e seu grupo serão recebidos na Sala Cecília Meireles, na Lapa, para consagrarem o reconhecimento de um trabalho que sempre teve seus altos e baixos, mas tem vencido a todas as dificuldades. O entreolhos da vez é com a artista Sônia Monteiro, já entreolhada por nós.

E – Olá, Sônia; antes de tudo, fale-nos do início das atuações do grupo, e como ele vem atuando até então.

S - O Grupo Arte em Movimento foi criado em 2010, com 20 artistas, e hoje conta com
a presença de mais de 50; entre eles, artistas plásticos, escritores, músicos, artesões e outros. Já realizamos desde então, inúmeros eventos como saraus, exposições e outras atividades artísticas e literárias, por toda a Baixada Fluminense. Oferecemos em nossos eventos, oficinas de artes, danças teatro e muito mais.
E – Qual é o objetivo central do grupo Arte em Movimento?

S - Nosso objetivo é ensinar técnicas e apontar caminhos aos jovens, adultos e crianças, e fomentar o surgimento de novos artistas, pois por onde passamos deixamos um pouco de cada um de nós. É muito gratificante descobrir grandes talentos.

E - Como vocês conseguem trabalhar a contento com o teatro, as artes visuais, música, história e outras áreas do conhecimento, com os poucos recursos que sabemos haver? É possível manter o diálogo entre todas essas áreas, em tão pouco espaço de atuação?

S - Apesar de aparentemente muito distintas, todas essas modalidades são frutos da ação e da criação humana e, como tal, estão inevitavelmente ligadas. Quanto ao pouco espaço formal, considerado adequado, isto se resolve com muita criatividade e um desejo imenso de fazer dar certo.

E – Fale-nos de sua sensação, e do grupo, ao receber a notícia da premiação.

S - Foi com imenso prazer que inscrevi o Grupo Arte em Movimento no Prêmio Heloneida Studart de Cultura, e de verdade, não esperava que pudéssemos ganhar. No dia primeiro de junho recebi a melhor noticia da vida; de que meu grupo foi escolhido para ganhar o prêmio Heloneida Studart de Cultura. Valeu a pena trilhar todos estes anos levando esse grupo a mostrar seus talentos, seus trabalhos, e dar o melhor de si. Eu me sinto muito honrada e maravilhada por saber que o trabalho foi reconhecido.

E – Qual é exatamente, a formação do grupo, depois de sete anos de atuação?

S - O grupo hoje é formado por muitos artistas e arteiros e com a parceria da Fundação Educacional e Cultural de Magé. Realizamos o Magé Feito com arte na Folclovera em 2016, que foi de tão grande sucesso que teve até Bis... e nosso ultimo evento foi a participação na Feira de livros no Calçadão Cultural de Magé, sempre com o apoio da Fundação.

E – Sobre a Fundação Educacional e Cultural de Magé: como se dá essa parceria com o grupo?

S - A Cristina Bastos, presidente da fundação, é uma grande incentivadora da cultura em Magé. E ela prioriza como jamais ocorreu antes, na cidade, os artistas mageenses. Muitos nomes mageenses das artes e da literatura, que sempre obtiveram prestígio apenas fora de Magé, agora são reconhecidos aqui, em nossa cidade, desde que a Cristina assumiu a fundação.

E – E a Secretaria de Educação e Cultura da cidade? Qual é o seu papel nisso tudo?

S – A secretaria, especificamente, tem muitas e muitas atribuições relacionadas à educação, que é um setor bem mais complicado para gerir. Mesmo assim, a secretária Alison Brandão sempre oferece o suporte necessário para que a fundação, ligada à secretaria, tenha condições de atuar, com os recursos disponíveis. É assim que tenho visto.


E – Soubemos que você prepara uma exposição individual com trabalhos novos, entre eles muitos objetos e instalações. Quer falar a respeito?

S – Hoje não vim falar de mim. O assunto é sobre o grupo e a premiação. Quando o acervo da minha exposição estiver pronto, e a com definida, terei imenso prazer em falar a respeito.

E – Por favor; deixe suas considerações finais.

S – Quero agradecer a todos que estão juntos e misturados por todos estes anos. Em especial ao Demetrio sena, ao Deneir, o Fiuza, a Claudinah Oliveira, o Kaê, a Ana Gomes e a Maria do Socorro. Estes que citei estiveram em todos os eventos realizados, mas há outros participantes com quem sempre podemos contar, na medida do possível, como é o caso da Benedita Azevedo, a Iraí verdan, Vilany Bigler, Nina, Antonio Barbosa, Deise Garcia, Ana Sousa, Vanderlaine Alencar, Celeste e muitos outros. De todo o coração, agradeço a todos por juntos formarmos este grupo maravilhoso. E aos que estão chegando agora, sejam muito bem vindos e  se misturem cada vez mais! Dia 19 de junho às 19 horas na sala Cecília Meireles, vamos receber nosso Prêmio.


E – Muito obrigados por se deixar entreolhar mais ma vez.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

'GOSTO DE MAGÉ, MAS DESPREZO SEUS POLÍTICOS' - Entreolhos com Demétrio Sena

Convidado a fazer parte da equipe do Entreolhos, pelo seu seu grande prestígio e conhecimento de quem faz cultura em Magé, o articulador de cultura Roberto da Silva, que realiza todos os anos o festival da MPB na cidade, achou por bem iniciar sua parceria entreolhando o escritor e fotógrafo Demétrio Sena, que também é nosso parceiro. 

R - É um prazer iniciar, como entreolhador, falando como o nosso poeta e escritor Demétrio Sena. Demétrio, uma curiosidade pessoal. Você lembra a sua primeira poesia? Em que ano foi escrita? Foi para alguma namorada?

D - Não sei exatamente quando fiz minha primeira poesia. Chama-se ROTINA DE CAMPO. Não foi para namorada. Só sei que eu tinha entre 12 e 13 anos.

R - Nota-se que já era uma poesia social, pois, geralmente, nesta idade se faz poesia para namorada. Quando eu conheci a sua obra, me identifiquei muito com o a crônica FEIRA LIVRE e também o soneto CARNIÇA, além de outros, é claro, que muito admiro. Fale um pouco sobre eles?

D - Feira Livre, embora engraçada, é uma crônica social que trata do comportamento humano, especialmente no que diz respeito à arrogância. Carniça, por sua vez, é um soneto bem político, no sentido crítico. Muita gente me questiona sobre ambos, mas vejo que você alcançou bem o contexto de cada um. Tenho minhas formas ora dramática, ora debochada, lítica, humorística, mas por meio de todas elas, inclusive ao falar de amor, procuro contextualizar meus textos para o lado social de tudo.

R - Eu sei tudo de você, meu poeta, sem demagogias; você sabe. Tenho oito livros seus, e CD com você declamando "EU TE AMO". Esta poesia está inserida em nossa Rádio UPCM-Unidos Pela Cultura de Magé, e é a mais pedida, depois da música " Asas" do seu irmão músico Antônio Sena. Se você me permite, vou transcrever a "ESTAÇÃO DO ADEUS, que diz assim: “Depois de tantos acenos, tantas frustrações, e vai e vem, descobri que a mais triste das quatro estações, é a velha estação do trem". É lindo; por que você não grava também ?

D - Penso nisso. Agora ficou dispendioso fazer livros e CDs. E não tenho prestígio ou jeito, como você tem para angariar patrocínios. Penso em fazer algo novo, mas anda meio difícil.

R - Em nosso festival, todo ano, costumo distribuir e divulgar livros de autores mageenses ou não. Em uma de nossas edições, divulguei "FILHOS DE MARIA" e distribuí exemplares. Dias depois, uma das pessoas que ganharam o livro me ligou perguntando quem era você, se era mageense, etc. Fiquei triste por você ter tantos anos de estrada em Magé e não ser reconhecido. Você concorda? Tem alguma crítica?

D - Olhe, Roberto; eu mesmo me recolho um pouco, não por complexo, mas por não me importar mesmo. Gosto muito de Magé no que diz respeito ao povo, mas desprezo os políticos daqui. E não consigo achar exceção. Vejo que a cultura é desprezada por eles, quando não tem a possibilidade de lhes encher de dinheiro. Eu sou uma dessas pessoas que não têm essa possibilidade, além da desgraça, na visão deles, de ser alguém do lugar.

R - Vamos falar um pouco de Academia. Aqui, em Magé, tem a AML - Academia Mageense de Letras - e a ACLAM - Academia de Ciências, Letras e Artes de Magé. Todo poeta, escritor, sonha fazer parte de uma academia, pois é onde se respira cultura e se pode ser ouvido, lido e ENTENDIDO. Você faz parte de alguma?

D - Faço parte de ambas que você citou, mas me afastei bastante. São muitas reuniões, assuntos burocráticos e, além disso, minha vida pessoal com minhas filhas Nathalia e Júlia são, hoje, minha prioridade de vida. Tudo que possa me afastar um pouco mais delas ou uma delas, não me dá prazer. Não falo de sacrifício. Falo de prazer, mesmo. Ter para elas, no tempo que dedico a cada uma, todo esse tempo, é algo de que não abro mão. É levá-las ou não ir. Gosto muito, muito mesmo, de quase todas as pessoas de lá, e poderia destacar algumas. Quero encontrar uma forma de conciliar o tempo e ainda voltar a participar, mas um pouco lá na frente. Também acho que sou muito rústico para estar sempre nesses meios. Tenho até sotaque de roceiro, e gosto mais de escrever do que propriamente do resultado e dos títulos que o escrever proporciona. Creio que não me adéquo muito à filosofia das arcádias. Não de Magé especificamente, mas de todas.

R - O que te dá mais prazer: escrever socialmente, politicamente, ou ser um escritor romântico?

D - Ser um escrevedor do que me dê vontade no momento. Não escolho. Pego a caneta e ela decide por mim. Na maioria das vezes não estou atento às datas. Faço textos de amor no dia da pátria, da pátria no dia das mães, da escravidão no dia do fico, de carnaval no ano novo, e por aí vai...

R - Desculpe, se estou prolongando. Mas, pessoas assim como você, meu poeta e ídolo, e essa sua mente aberta, me fazem perguntar: alguém já falou pra você que verso e letras juntinhas formando romances não enchem barriga?

D - Já, sim. No meu caso, jamais ganhei muito dinheiro, no entanto, o que tenho de mais valor, inclusive meu emprego de arte-educador, consegui através da escrita. Por escrever, simplesmente.

R - É isso aí! E, para terminar, eu gostaria de agradecer e parabenizar ao Francisco Souza de Sá pela iniciativa, pedindo a ele que corrija os meus erros de português, e a você Demétrio, para que você faça as suas últimas considerações analisando a nossa cultura mageense. Diga, Demétrio, o que falta para Magé se tornar uma terra de cultura viva?


D – Acho que o que falta é o conjunto de um povo mais cobrador e criterioso com os seus representantes públicos, um poder público mais público e, finalmente, uma iniciativa privada menos... privada.

terça-feira, 23 de maio de 2017

SOBRE A ÚLTIMA EDIÇÃO DO ENTREOLHOS

No dia 9 de maio, nossa página em rede social e este blog publicaram um entreolhos com o articulador de cultura Roberto da Silva, centrado no festival da MPB deste ano e nas edições anteriores, desde que Roberto iniciou o festival.

Em seguida, o leitor e amigo Edson Mota de Moura nos interpelou, educadamente, em rede social, com o seguinte questionamento:

- Nenhuma menção aos três primeiros festivais da canção em Magé! Pena!

A nossa resposta não poderia ser outra, movida pela preocupação em informar de forma completa:

- Olhe, amigo, não tenho mesmo conhecimento, mas faça o seu comentário a respeito, envie, e incluo na matéria. Obrigado por se manifestar.

O Edson voltou, novamente gentil, a se manifestar:

- Vou verificar as datas direitinho. Mas posso adiantar que o primeiro festival de música de Magé foi realizado no Magé Tênis Clube, sob a iniciativa de Fernando Tavares. Ali também houve o 2° Festival de Música Mageense. Já o 3° FeMM realizou-se na sede social do Mageense Futebol Clube, sob a iniciativa do movimento de arte (MOVART), dirigido por Eliane Marzullo.

Então lhe respondemos da seguinte forma, e permanecemos no aguardo:

- Obrigado; aguardarei, e farei as observações pertinentes.

Já se foram alguns dias desde o último contato. Seja como for, voltamos a agradecer ao Edson pelas informações a serem confirmadas.

Também nos cumpre informar aos demais leitores e amigos - embora o Edson não tenha feito qualquer acusação ou insinuação neste sentido - que o Roberto da Silva nunca disse em nenhum entreolhos ou conversa informal conosco, ser o único nem o primeiro realizador de festivais da MPB na cidade de Magé.

A explicação acima é apenas uma preocupação em adiantarmos uma resposta a possíveis indagações futuras de outras pessoas.

Ficou evidente para nós, que a única e justa preocupação do Edson Mota de Moura foi a de fazer justiça à história da música em Magé.

Observações respeitosas e construtivas como a de nosso amigo serão sempre bem vindas ao Entreolhos.